Arco e flecha, arremesso de lança, atletismo, cabo de força, queda de braço. São algumas das modalidades esportivas que serão disputadas nos VI Jogos Indígenas que começam amanhã, 28. Vão participar as comunidades tapebas que vivem em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, a 10 quilômetros da Capital.

As disputas se realizarão até o próxima sexta-feira, 31, e no mesmo período está programada a VI Feira Cultural Tapeba.

"A lagoa tem uma importância histórica para o nosso povo, por isso e lá que vão ocorrer os jogos e a feira cultural", informa João Batista Simões Jerônimo da comunidade de Capuan, distrito de Caucaia, onde fica a lagoa dos tapebas.
A abertura está marcada para as 8 horas às margens da lagoa, com apresentação dos alunos da Escola Indígena de Capuan. Haverá o cântico dos Hinos Nacional e do Ceará, um ritual sagrado e exposição dos trabalhos. Os jogos começam com a modalidade "queda de braço".

No primeiro dia também estão programadas a disputa de arco e flecha, apresentação artística das Escolas Indígenas Vila dos Cacos e Conrado Teixeira, visitas à feira cultural e o ritual do Toré. "Teremos também natação e regata na lagoa, além de resistência e fôlego", diz João Batista.
As disputas serão na quarta-feira, 29. Em todos os dias dos jogos, os índios tapebas vão participar de rituais sagrados.

No dia 31, por exemplo, a abertura, às 7h30min, será com o ritual de purificação para a cerimônia de batismo das crianças tapebas. E às 15h30min, tem o ritual do Toré (a dança mais tradicional da tribo). Na exposição de artesanato, os visitantes podem encontrar os produtos da medicina tradicional indígena, bebidas típicas e a culinária tapeba. (Rita Célia Faheina)

E-mais

Segundo os historiadores, quando os europeus chegaram às praias do Ceará no século XVI encontraram diversos povos indígenas, cada um com idioma próprio, dominando sertões e praias a se deixar governar por leis próprias da natureza. Habitavam dois grupos: os tapuias, antigos habitantes do continente americano, e os tupis.

No Ceará predominava a raça tapuia, que ocupava quase toda a sua superfície. Os tapuias viviam muito isolados, em tribos distintas e independentes umas das outras, fazendo-se a guerra entre si, e sempre aos tupis, contra os quais ligavam-se às vezes muitas tribos tapuias.

Faziam parte do grupo tapuia os seguintes povos: tarariú, kanindé, paiaku, genipapo, jenipabuçu, arariú, anacé, karatiú, kariri, kaririaçu, kariú, guanacé, jaguaruana, jagoarigoara, kataguá, aimoré, aeriú, kixerariú, Irapuã, xibata, akoki, kamamu, parnamirim, genipapo-açu, jurema, kandadu, akigiró, kixariú, kixará, apujaré, inhamún, kixelô, juká, juguaruana, jaguambara, panati, kalabaça, baturité, kamocim, ikó, kariré, pitaguary, tremembé, entre outros.

Do grupo tupi se pode citar os tabajara e os potiguara.

Os índios tapebas são o resultado do encontro de três povos distintos: potyguara, tremembé, kariri, que passaram a conviver no aldeamento de Nossa Senhora dos Prazeres de Caucaia, que passou a ser chamado de Soure, mas por força do decreto-lei no. 1.114, voltou novamente a ser chamado de Caucaia.

Atualmente existem no Ceará oito povos indígenas, espalhados em 10 municípios. Eles formam 51 comunidades. São, em torno de 10 mil famílias que habitam áreas que somam 15.208 hectares.

Saiba quem são os povos no Ceará: genipapo-kanindé (em Aquiraz); kanindé (Aratuba e Canindé), kalabaça (Poranga); pitaguary (Maracanaú e Pacatuba); tapeba (Caucaia); potyguara (Monsenhor Tabosa); tabajara (Monsenhor Tabosa); tremembé de Almofala/Varjota (Itarema-distritos de Almofala e Patos); tremembé do Córrego João Pereira (Itarema).

FONTE: www.historiadoceara.vilabol.uol.com.br

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