Para os tapebas, o importante não é somente competir. A etnia pretende, por meio de esporte e cultura, durante uma feira, congregar as 17 aldeias e manter viva a tradição da maior população indígena

 

A sétima edição da Feira Cultural Tapeba foi aberta ontem, em Caucaia, por índios de 17 aldeias que compõem a etnia. O evento está sendo realizado na Lagoa dos Tapebas, localizada no distrito de Capuan, Região Metropolitana de Fortaleza. A programação inclui apresentações artísticas, rituais sagrados e, como foco principal, a realização dos Jogos Indígenas, promovidos há seis anos. Os povos são representados pelas 12 escolas que integram a rede de ensino dos tapebas.

Os jogos, disputados por homens e mulheres, foram subdivididos em três faixas etárias - infantil, adolescente e adulto - e contam com dez modalidades. A rivalidade, segundo eles, é maior nos duelos de cabo de guerra, corrida com tora e queda-de-braço. "Temos duas novidades em relação aos jogos estaduais (realizados julho): a resistência ao fôlego e a briga de galo. As duas são disputadas na lagoa", ressalta o líder da etnia, Weibe Costa. Na resistência ao fôlego, ele explica, vence o competidor que permanecer por mais tempo submerso na lagoa. Já a briga de galo é disputada em duplas. "É aquela brincadeira da piscina. Um fica sobre o ombro do outro para tentar derrubar o adversário", completou Weibe.

"Esse tipo de competição ajuda a preservar a cultura. A realização do evento serve até para mostrar ao Ceará que o nosso Estado tem índios, ao contrário do que alguns pensam", destaca Fernando Marciano, presidente da Coordenação das Organizações dos Povos Indígenas no Ceará (Copice), acrescentando que outra etnia cearense, os kanindés de Aratuba, também realizou seus jogos indígenas, em março. Já a edição que reuniu todas as etnias do Estado ocorreu em julho, no município de Aquiraz.

A feira cultural, em Caucaia, termina na sexta-feira, 31. Conforme a organização do evento, os três primeiros colocados receberão medalhas e, com o somatório de todos os resultados, será apontada uma escola vencedora. A cerimônia de encerramento terá batismo de crianças nascidas há cerca de um ano na lagoa, apresentação do Toré (ritual sagrado que envolve dança e canto), arremesso de lança, desfile de vestimentas tradicionais e vídeos.

E-mais

Cada uma das 12 escolas tem, na feira cultural, uma oca para expor e vender artesanato, culinária, moda e outras miçangas. Os objetos mais procurados são as bijuterias, como brincos, colares e pulseiras. O preço dos colares, fabricados à base de sementes, varia de R$ 3 a R$ 7. Já os brincos são vendidos à unidade, pelo preço médio de R$ 4. Há ainda a opção de prendedores de cabelo, a R$ 5, e anéis a R$ 2.

As ocas ofereceram também camisas alusivas à etnia, nas cores preto e branco, ao preço de R$ 10. A dose de mocororó, bebida artesanal feita a partir do caju, custa R$ 0,50. "É uma bebida típica, que não tem álcool, mas embriaga por causa da fermentação", diz Kléber Tapeba, um dos organizadores da feira. Os indígenas vendem também artigos de cozinha, como panelas e xícaras, fabricados com barro; e vestimentas tradicionais.

MODALIDADES

Queda-de-braço, arco e flecha, natação, resistência ao fôlego, cabo de guerra, corrida com tora, triatlon, arremesso de lança, atletismo e briga de galo.

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