Achados arqueológicos dão conta que tribos ancestrais escolheram o Cariri para viver seguindo cursos d´água

Missão Velha. Os índios Cariri não foram os únicos habitantes do Sul do Estado do Ceará. Antes da chegada do homem branco à região, no século XVII, o local era habitada por inúmeras tribos indígenas. A revelação está sendo feita pela arqueóloga Rosiane Limaverde, Diretora da Fundação Casa Grande, de Nova Olinda, com base no levantamento de 16 sítios arqueólogicos encontrados na região. Os mais recentes foram localizados na Serra do Mãozinha, em Missão Velha, e no Sítio Analá, no município de Mauriti, nos limites do Ceará com a Paraíba.

As inscrições rupestres encontradas nessas duas localidades confirmam a hipótese de que o Cariri era habitado por tribos indígenas de diferentes culturas que vieram atraídas pelas fontes perenes da Serra do Araripe. Rosiane acrescenta que o Cariri sempre foi o oásis do Nordeste. Também está comprovado que os índios seguiram o caminho das águas, isto é, entraram no Cariri, vindos da Paraíba, pelo riacho dos Porcos e caminharam no leito dos rios até os pés de serra.

As inscrições descobertas em Mauriti estão gravadas em pedra no leito do riacho Soledade. “Isso é um fato novo na região. Essas gravuras eram feitas, geralmente, em locais altos, de difícil acesso”, diz Rosiane. Em Missão Velha, as inscrições estão numa gruta de pedra, em cima de uma serra.

O trabalho de Rosiane e seu marido, Alemberg Quindins, foi iniciado há cerca de 15 anos. Os dois pesquisadores trabalham na identificação dos povos que aqui viveram, e dos que fizeram as diferentes pinturas que puderam ser classificadas. Para isso foram analisados utensílios e restos de pinturas encontradas nas camadas arqueológicas. A primeira descoberta foi feita no Sítio Santa Fé, a vinte quilômetros do Crato. Ali, os índios deixaram, além de inscrições, uma grande serpente gravada na pedra em alto-relevo.

A pesquisa faz parte do estudo da Fundação Casa Grande, organização não-governamental com sede em Nova Olinda, que objetiva resgatar a memória do homem Cariri, com documentação fotográfica e iconográfica dos antepassados na região, levantamento de sítios arqueológicos, além do resgate cultural por meio da música.

Além disso, são desenvolvidos trabalhos no âmbito da informação, com a escolinha de comunicação e editora. Hoje, os integrantes da Casa Grande estão realizando projetos para o desenvolvimento de programas de televisão.

Na semana passada, Rosiane esteve no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) com o objetivo de firmar convênio para a formação de agentes educadores do patrimônio histórico regional. Os agentes vão trabalhar com alunos das escolas públicas. São os passos iniciais de uma nova política educacional, que visa proporcionar aos estudantes uma visão abrangente sobre a arqueologia do Cariri.

ANTÔNIO VICELMO

 

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