À frente da Secretaria de Turismo do Estado desde janeiro deste ano, Bismarck Maia, ao longo das últimas duas décadas, tem acompanhado a evolução do turismo cearense. De agente de viagem, foi diretor de turismo da Coditur e também da Embratur. Segundo o secretário, o Ceará caminha para a consolidação do Estado como um forte destino turístico nacional e internacional

Secretário, quando o senhor começou a trabalhar no turismo cearense?

De 1983 a 1991, trabalhava como agente de viagem. E no ano de 1991, no governo de Ciro Gomes, assumi a Diretoria de Turismo da Companhia de Desenvolvimento Industrial e Turístico do Ceará (Coditur), que era uma empresa que tomava conta de várias outras atividades do Estado do Ceará, como o desenvolvimento industrial e o desenvolvimento mineral. Na Coditur, fiquei responsável pelo desenvolvimento do turismo do Ceará, promovendo a atividade no Estado como vetor econômico.

Como era o turismo naquela época?

No início da década de 90, os atrativos do Ceará eram as compras, o artesanato, o Beach Park, que estava nascendo, e o turismo de sol e praia ainda muito insipiente no interior do litoral cearense. Ainda nem exista estrutura de agências de receptivo.

Quais foram as primeiras ações para a promoção do turismo cearense?

Nós tivemos oportunidade de trazer, no início da década de 90, o primeiro vôo internacional regular da Itália, um vôo da Varig. Também um vôo de Miami e diversos outros vôos regulares nacionais e internacionais. Foi nesta época que começamos a trabalhar o turismo no Ceará de forma profissional. Naquela época também foi realizada, no Ceará, a segunda edição da BNTM (Brazil National Tourism Mart) e aconteceu, em 1994, em Fortaleza , o Congresso das Agências de Viagens Espanholas, com a presença de mais de 600 congressistas. Todas essas ações foram importantíssimas para dar uma visibilidade ao Estado do Ceará, contribuindo, assim, para o aumento do fluxo de turistas da Argentina, da Itália e também de outros estados brasileiros.

O Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste (Prodetur) surgiu também no governo Ciro Gomes?

Sim, foi naquela época, onde, por meio de reuniões com representantes dos estados nordestinos, nós construímos o nascedouro do Prodetur, que iria trazer investimentos para a infra-estrutura do turismo no Nordeste. O Prodetur foi assinado no final da gestão de Ciro Gomes, em dezembro de 1994. E a partir de 1996 ele começou a ser implantado definitivamente no Ceará, com as obras da Rodovia Estruturante (CE-085) e do Aeroporto Internacional de Fortaleza.

Por coincidência, eu tive a oportunidade de, a partir de 1995, quando eu estava sendo diretor da Embratur, poder liberar recursos do governo federal para as obras do Prodetur no Ceará, dando assim mais uma forte contribuição para o desenvolvimento do turismo do Estado. Ao longo dos oito anos na Embratur, pude também enviar recursos para o Ceará, que resultaram em 400 quilômetros de estradas turísticas (recuperação e construção). Muitas estradas do litoral Leste foram possibilitadas com recursos da Embratur. Se de um lado nós construímos o Prodetur no governo Ciro Gomes, enquanto Embratur tivemos a possibilidade de liberar mais recursos não só para as estradas, como também para obras de mais de 140 municípios cearenses.

E agora com o Prodetur II o que será beneficiado no Estado do Ceará?

Temos 37 milhões de reais liberados via Prodetur para o Ceará, que serão destinados às áreas de promoção, capacitação, qualificação e investimento em infra-estrutura de diversos municípios. Entendemos que o Prodetur não deva ser aplicado apenas numa região. Ele precisa ser aplicado naquilo que o Ceará tem de patrimônio turístico, que são os litorais Leste e Oeste - a grande alavanca do turismo cearense.

Quais são seus planos de governo na Secretaria de Turismo do Estado?

O governador Cid Gomes tem dado prioridade ao turismo na medida que entende que o turismo é transformador da economia, portanto da qualidade de vida das pessoas. O vetor de desenvolvimento do Estado do Ceará está no serviço, no turismo. O Ceará está construindo um cenário para o turismo, investindo na estrutura pública e abrindo espaço para dar condições à iniciativa privada em investir também; para criar, em todas as áreas do Ceará de apelo turístico, atrativos com qualidade. E com isso, teremos um cenário propício ao turismo para 20, 30 anos e não apenas para a alta estão que se aproxima. Estamos investindo em estradas, em saneamento básico, esgotamento sanitário, construindo equipamentos públicos de fundamental importância, como será o Centro Multifuncional de Feiras e Eventos - que deve ficar pronto até o final de 2009 - e fazendo a recuperação do Centro de Convenções Edson Queiroz. E, ajudando, também, para que o investimento privado aconteça, com a construção de resorts próximo a Fortaleza e também de pousadas de charmes de alto nível. Queremos que, no final de quatro anos do governo Cid, o Ceará esteja consolidado como um destino turístico para as próximas décadas e que, definitivamente, fique no cenário nacional e internacional como destino consolidado.

O Caderno de Turismo do Diário do Nordeste está completando 21 anos. Qual e a importância do suplemento para o setor?

O Caderno de Turismo tem dado um apoio muito grande ao turismo, não só despertando para as potencialidades geográficas do Estado do Ceará, mas sobretudo valorizando a nossa terra, valorizando a nossa gente, despertando a importância do turismo para o desenvolvimento do Estado nas críticas e nas boas reportagens.

Com este caderno, o Diário do Nordeste está incutindo cada vez mais a idéia de que o turismo é o grande vetor do desenvolvimento econômico do Estado do Ceará. Ao longo destas duas décadas, o caderno sempre esteve acompanhando as ações de desenvolvimento do turismo do Estado. Por tudo isso, o Diário e seus leitores estão de parabéns.

Kiko Barros
Diario do Nordeste
09/11/07

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