Riad.
A entrada do Brasil no cartel dos exportadores de petróleo foi sugerida no III Encontro de Cúpula da Opep, encerrado ontem, em Riad, na Arábia Saudita. Segundo matéria da revista IstoÉ Dinheiro desta semana, a pauta defendida pelo venezuelano Hugo Chávez já não surge tão absurda graças a descoberta do campo de Tupi, em Santos, que geraria excedentes exportáveis.

 

O ingresso à Opep teria um grande obstáculo: o etanol. O Brasil é o principal incentivador no mundo do ´combustível verde´ e único país a utilizá-lo em larga escala – 20% da frota nacional roda com álcool.

 

Em tese, os países-membros seriam rivais declarados dos biocombustíveis. “Eles nos vêem como inimigos”, disse Eduardo Pereira de Carvalho, ex-presidente da Unica, a entidade que reúne os usineiros nacionais, à revista. Até o próprio Chávez, em março deste ano, engrossou o tom contra o combustível concorrente. ´Para produzir três milhões de barris de etanol diários seria preciso plantar milho e cana em todas as terras existentes no mundo, incluindo as cidades´, disse.

 

Contradição

 

A doação no final do encontro do rei da Arábia Saudita, Abdullah bin Abdul, de US$ 300 milhões para pesquisas na área de meio ambiente para redução das emissões de gases do efeito estufa, causou ânimo ao Brasil. É evidente o esforço da Opep em aumentar sua atuação ambiental. ´Neste contexto, os biocombustíveis surgem não como uma fonte rival, e sim como um complemento´, afirmou o embaixador brasileiro na Arábia Saudita, Isnard Penha. Para ele, os combustíveis renováveis, em especial o etanol, devem substituir o petróleo apenas no setor de transporte. ´O Brasil, assim, poderia ser mais bem-sucedido em uma eventual apresentação da candidatura para a Opep´, avaliou. 

Diario do Nordeste - 19-11-07

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