Idealizado em 2005, o Trem do Cariri resgata o transporte de passageiros entre os municípios do Crato e Juazeiro do Norte

Juazeiro do Norte. Está em fase de finalização, para testes a serem efetuados até meados deste mês, o Trem do Cariri. A via permanente deverá estar pronta apenas no mês de junho. Pelo menos é esta a previsão do diretor de Desenvolvimento e Tecnologia, Clóvis de Lima Picanço, responsável pelo trabalho que vem sendo executado no desenvolvimento de um tipo de transporte que fez história no Cariri, o trem de passageiros.

O Transporte Rápido Automotriz (Tram) é composto de dois veículos formados por dois carros cada. A capacidade é de 330 passageiros por veículo (100 passageiros sentados e 230 em pé). A tecnologia adotada nos novos transportes, tipo Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é de média capacidade. A fabricação e montagem dos trens estão sendo feitas na cidade de Barbalha, pela empresa Bom Sinal. Serão duas composições de tração diesel hidráulica mecânica, formadas por dois carros, equipados com ar-condicionado.

Segundo o diretor, com relação às estações, o edital para licitação se encontra concluído aguardando apenas a data para lançamento. O prazo para construção das estações é de sete meses e poderá acontecer até outubro deste ano. Até novembro, a previsão é de que seja concluído o Projeto Básico para a construção das oficinas, centro administrativo e controle operacional do trem, no bairro do Muriti, no Crato.

Clóvis Picanço justifica a volta do Trem do Cariri por conta do crescente processo de urbanização, além dos significativos investimentos industriais, comerciais e turísticos da região, nos últimos anos. O projeto começou a ser desenvolvido no segundo semestre de 2005, ainda no governo de Lúcio Alcântara, com o objetivo de atender ao transporte de passageiros sobre trilhos, ligando os municípios de Crato e Juazeiro do Norte. “São importantes pólos geradores e atratores de viagens, fazendo com que seja intensa a movimentação de pessoas entre as sedes destes municípios”, ressalta o diretor.

Materiais plásticos

Para Clóvis, as composições do Trem do Cariri seguem modelos europeus de veículos leves sobre trilhos. Foi empregada de forma maciça a utilização de materiais plásticos reforçados e policarbonatos, propiciando uma maior vida útil das peças de revestimento. “São imunes à corrosão e mais resistentes a pedradas, já que não amassam”, garante ele.

Todos os bancos já foram montados. Conforme o diretor, foi dada prioridade na concepção ao conforto do passageiro. O “layout” dos bancos individuais é utilizado em veículos metrô. A climatização e as janelas amplas impedem o barulho de fora e o calor do semi-árido e dão ao viajante o presente de uma bela paisagem regional.

São mais de duas décadas de paralisação dos trens de passageiros da antiga Rffsa. O diretor destaca o trem como o primeiro a ser construído no Brasil, na fábrica Bom Sinal. Os municípios de Crato e Juazeiro estão sendo atendidos primeiro por terem uma malha ferroviária preservada. No caso de Barbalha, não há mais uma ligação ferroviária. O estudo para integrar a terra dos verdes canaviais, diz o diretor, fica para um estudo posterior. O tempo de viagem será de 28 minutos.

Elizângela Santos, Repórter, Diario do Nordeste, 12/02/08

 

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