Dos 40 pontos verificados em campo pelo Inpe em fevereiro, quatro apresentam início de degradação e 36 tinham desmatamento total. A ministra Marina Silva apresentou dados afirmando que o desflorestamento diminuiu desde 2004. Mas o Brasil ainda é recordista

O diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Gilberto Câmara, disse que o órgão registrou 552 pontos de alerta de desmatamento na Amazônia em janeiro e fevereiro deste ano. Os números dos dois primeiros meses já correspondem a 71% de todos os pontos de alerta identificados em 2007. De novembro de 2006 a maio de 2007, o Inpe identificou 346 pontos de alerta na região.

 Em novembro e dezembro de 2007, meses em que o Sistema de Detecção em Tempo Real (Deter) do Impe registrou avanços no desmatamento, o número de alerta foi de 421. De acordo com Câmara, dos 40 pontos verificados em campo pelo Inpe em fevereiro, quatro apresentam início de degradação e 36 tinham corte raso, ou seja, desmatamento total.

Ele participou ontem de audiência na Câmara dos Deputados, em Brasília, promovida pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; e da Amazônia, Integração Nacional e Desenvolvimento Regional.

Na mesma audiência, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que o Governo federal está adotando várias ações para combater o desmatamento na Amazônia. Segundo ela, o desmatamento diminuiu nos últimos anos.

Em 2004, foram desmatados 27 mil km²; em 2005, somaram-se 18 mil km²; em 2006, ocorreram 14 mil km²; em 2007, aconteceram 11,2 mil km² de desflorestamento. A ministra admitiu, no entanto, que o desmatamento cresceu 10% nos últimos seis meses. Relatório do Banco Mundial (Bird) mostrou o Brasil como o campeão em desmatamento no mundo entre 2000 e 2005.  

Ela acrescentou que é importante o investimento em pesquisa para produtos agrícolas que possam ser cultivados na Amazônia e defendeu um debate sobre uma área de 175 mil km² na Amazônia, que está devastada, abandonada ou semidestruída. Ainda segunda Marina, não há espaço para todos os madeireiros que atuam na região amazônica.

Ela garantiu que aumentou o número de ficais que trabalham na região. O aumento foi de 82%, para 664 fiscais. A ministra disse que outros fiscais das polícias locais ajudam nas ações de combate ao desmatamento, num total de 1.300 homens.

Com relação à proposta de autorizar o plantio de cana-de-açúcar na Amazônia, Marina comentou que é "contra". Apesar de considerar os biocombustíveis como oportunidade de mercado, ela disse que é preciso pensar em outras alternativas para a região. (da Folhapress)

10/04/08

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