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Brésil Ceara Fortaleza

O Diario : Análise - Glamour da Cidade não era para todos (7)

Iracema Sales

A memória é seletiva, por isso, só retém o lado bom do passado. Difícil mesmo é conviver com o presente, tempo marcado por momentos alegres, tristes, preconceito, decepções e todas as incertezas e mazelas do dia-a-dia.

Talvez seja mais fácil conviver com a Fortaleza da ´Belle Époque´, inspirada na Paris que dava seus primeiros passos para se tornar a ´Cidade Luz´, quando a Cidade tirou os pés do ´areal´, para colocar nos simulacros de ´boulevards´ e suas moiçolas aprendiam francês e a tocar piano.

Mas será que esses ventos da ´Belle Époque´ que varriam a Europa e respingavam em Fortaleza, eram sentidos em todos os quatro cantos da Cidade? Será que a sessão das quatro do Diogo, na década de 1940, era para todos? Memorialistas garantem que existia preconceito. As pessoas sabiam que o São Luiz e o Diogo não eram para todos. Nem mesmo pôr o pé em alguma réplica das ´maisons´ que instalavam aqui.

É bem mais cômodo cultuar o glamour de uma época, em que o pobre era segregado em choupanas na periferia. Com dificuldades em transportes, de acesso às informações, aos cuidados com saúde, higiene, educação, talvez seja mais fácil sentir saudade da Fortaleza glamourosa, quando a sala de espera do São Luiz era um desfile de moda. Certamente, ela era para poucos. Bem menos do que a de hoje.

Iracema Sales, Repórter, Diario do Nordeste

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