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Brésil Ceara Fortaleza

O Povo : A cidade e o desejo (1)

Felipe Araujo

Há uma Fortaleza que percorre os desejos dos seus moradores. À procura dela, o Grupo de Comunicação O POVO iniciou, em 17 de fevereiro, uma série de matérias no jornal, rádio e TV cuja síntese apresentamos hoje, em pleno aniversário da cidade

Ao longo dos últimos meses, o jornal O POVO, a rádio O POVO/CBN e a TV O POVO têm produzido e veiculado uma série de matérias que abordaram a vida em alguns dos principais bairros de Fortaleza. Bairros como Montese, Praia de Iracema, Messejana, Bom Jardim, Centro e Meireles serviram de amostragem para um levantamento de problemas e soluções que se revelam no cotidiano mais imediato desses fortalezenses - e possibilitaram entender um pouco da relação de seus moradores com a Cidade. Esses problemas e essas soluções identificadas ao longo das matérias estão na base do conceito de qualidade de vida que embala nosso projeto de cobertura eleitoral. Mais do que uma discussão sobre alianças, bastidores e pesquisas, a proposta é fazer um esforço jornalístico de discussão sobre nossa cidade e sobre as demandas de seus habitantes.

No fim de março, o Fórum Diálogos Urbanos, realizado no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, constituiu-se em uma nova etapa dessa caminhada, que vai se estender ao longo do ano. A partir do que foi mostrado nas matérias, o fórum discutiu e apontou propostas para a Cidade. O professor Eustógio Dantas, doutor em Geografia e Planejamento pela Universidade de Paris-Sorbonne e professor da Universidade Federal do Ceará; o rapper Preto Zezé, coordenador-geral do Movimento Hip Hop Cultura de Rua do Ceará, membro da coordenação nacional da Rede Brasileira de hip Hop e coordenador da Central Única de Favelas (Cufa); e Iran Ribeiro, empresário, vice-presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis do Ceará e ex-presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas do Ceará, foram os debatedores convidados.

Melhor síntese

As diferentes perspectivas sobre Fortaleza apresentadas pelos participantes do Fórum confirmaram como é, ao mesmo tempo, complexa e produtiva a discussão sobre uma cidade como a capital cearense. No dia do aniversário da Cidade, O POVO publica um caderno especial que pretende fazer uma síntese do que foi mostrado e discutido até aqui. Escolhemos cinco questões que foram evidenciadas ao longo da série de matérias (mostrando-se, quase todas, presentes de maneira relevante na vida dos habitantes dos bairros) e que foram debatidas no fórum.

A primeira delas é o diálogo entre Fortaleza e as cidades que formam sua Região Metropolitana - o que permitiria, segundo o geógrafo Eustógio Dantas, a formulação de políticas públicas mais eficientes no trato com problemas que não podem mais ser resolvidos no âmbito da Cidade, mas apenas no âmbito da Metrópole. A segunda é o planejamento em torno da ocupação do espaço público, que possibilitaria a construção de uma cidade mais harmoniosa e sustentável. Outra é a difícil equação da informalidade, que tensiona o mercado formal de trabalho mas que garante a sobrevivência e o emprego de milhares de pessoas em Fortaleza.

O trânsito, cada vez mais confuso e boçal, também é analisado. Em destaque: o impacto tanto de obras grandiosas, como o Metrofor e o Transfor, quanto de iniciativas de menor porte mas extremamente oportunas, como o projeto que prevê ciclovias para a Cidade. Por fim, o caderno discute a capacidade de alguns bairros de se articularem independentemente do poder público e criarem alternativas de enfrentamento de problemas como a violência e a falta de emprego.

Os repórteres Marcela Belchior, Demitri Túlio e Cláudio Ribeiro foram a campo e produziram o material que forma o caderno. No conjunto, as matérias apontam para uma cidade que ainda não existe, mas que é possível. A cidade de nossos desejos, na definição de Italo Calvino: “A cidade aparece como um todo no qual nenhum desejo é desperdiçado e do qual você faz parte, e, uma vez que aqui se goza tudo o que não se goza em outros lugares, não resta nada além de residir nesse desejo e se satisfazer”.

E-mais

Um passeio do repórter Vicente Gioielli por vários bairros de Fortaleza marcou o lançamento da série. O POVO saia, a partir de então, batento à porta de fortalezenses das mais diversas áreas da cidade para colher histórias, captar demandas e dar espaço a vozes nem sempre ouvidas.

Uma Barra do Ceará diferente, que para saber que existe nós precisamos, como fez a repórter Rachel Chaves, lançar um olhar diferenciado, livre da visão rápida o cotidiano do fortalezense o obriga a consolidar. A área da cidade foi visitada no dia 24 de maio e a abordagem surpreendeu até quem mora na área da cidade.

Felipe Araújo - Editor-Adjunto de Conjuntura

12/04/08

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