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Brésil Ceara Fortaleza

O Povo : Limites - O tempo da metrópole (4)

Marcela Belchior

Ampliar a discussão sobre os problemas da Capital para um debate sobre questões que perpassam e interligam os municípios da Região Metropolitana pode ajudar na resolução de muitos dos impasses de uma metrópole como Fortaleza

Há uns 30 anos, ainda vivíamos no tempo da cidade. Hoje, apresenta-se o tempo da metrópole. A afirmação é do geógrafo Eustógio Dantas, quando diz que é necessário pensar Fortaleza numa escala maior, ultrapassando os limites do município e incorporando as relações com as 13 cidades que hoje compõem a Região Metropolitana da Capital. Para uma intensificação das ações econômicas, administrativas e de desenvolvimento de políticas sociais, contudo, a primeira necessidade é de incorporação da idéia de metrópole pelos próprios gestores dos municípios. Caucaia, Aquiraz, Pacatuba, Maranguape, Maracanaú, Eusébio, Guaiúba, Itaitinga, Chorozinho, Pacajus, Horizonte e São Gonçalo do Amarante passariam a atuar como um conjunto efetivo, tendo Fortaleza como o centro das relações.

Dantas, que é doutor em Geografia e Planejamento pela Universidade de Paris - Sorbonne, cita o exemplo do abastecimento de água na Capital. O provimento desse produto, aponta ele, não se restringe mais aos limites fortalezenses; e a busca da água se desloca para locais como Pacoti ou o Rio Jaguaribe. "Os problemas que se relacionam com Fortaleza são resolvidos, na contemporaneidade, em escalas que extrapolam a área da cidade. Há necessidade de relações entre esses governantes", diz.

Outra necessidade básica entre os municípios que compõem a Região Metropolitana seria a circulação de produtos. Na avaliação do doutor, a produção de um Estado acaba por se concentrar na metrópole e isso demandas alguns investimentos. "Há uma priorização da metrópole neste estado. É nela que se concentra o povo, o aeroporto", exemplifica. "Para isso, há necessidade de construção de vias, para a exportação dos produtos com mais facilidade", sugere Dantas.

Além disso, o fluxo populacional entre os municípios, especialmente de pessoas que se deslocam diariamente de outras cidades para Fortaleza para estudar ou trabalhar - fenômeno conhecido como migração pendular -, demanda investimentos no transporte para os moradores dos 13 municípios. E essa comunicabilidade de transporte, segundo Dantas, funciona não apenas para deslocar os moradores, como também para aproximar as cidades em diversos setores. "Pensar transporte, hoje em dia, não é pensar somente transporte. Ele integra as cidades", afirma.

A professora do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC), Maria Clélia Lustosa, destaca que ainda há uma dificuldade de acessibilidade entre os municípios da Região Metropolitana com Fortaleza, já que a quase totalidade dos equipamentos urbanos concentram-se ainda na Capital. "Uma das maiores dificuldades da população de baixa renda é ser encontrado, ter acesso, chegar ao local de trabalho, chegar ao local de estudo, chegar ao Sine (Sistema Nacional de Emprego) em busca de emprego. A questão dos custos de transporte e a impossibilidade de se deslocar é muito excludente", enfatizou a geógrafa.

Para ela, uma política de fluxo de transportes que integra a Região Metropolitana é uma das demandas mais urgentes da Capital. "Porque essa população que é obrigada a morar longe da cidade tem um custo muito alto. Tive uma aluna que desistiu (do curso) porque ela pagava R$ 7 por dia para chegar até o departamento de Geografia, de Aquiraz para Fortaleza. Aí você vê como o custo de transporte é um peso", conta a professora.

A Grande Fortaleza

A Região Metropolitana de Fortaleza é formada por 13 municípios: Fortaleza, Caucaia, Aquiraz, Pacatuba, Maranguape, Maracanaú, Eusébio, Guaiúba, Itaitinga, Chorozinho, Pacajus, Horizonte e São Gonçalo do Amarante.

Criação

A Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) foi criada pela Lei Complementar Federal nº 14, de 8 de junho de 1973 que estabelecia, ainda, outras regiões metropolitanas no País. Formada, inicialmente, por apenas cinco municípios (Fortaleza, Caucaia, Maranguape, Pacatuba e Aquiraz), formava população de 1 milhão de habitantes. Atualmente, com 13 municípios, é a segunda maior região metropolitana do Nordeste e a sexta do Brasil.

Passagens de ônibus

No início de março, depois de muita controvérsia envolvendo a base de sustentação do governo Cid Gomes (PSB), o governador sancionou o projeto que reduzia a alíquota do ICMS para os ônibus de Fortaleza e da Região Metropolitana. O ato de assinatura contou com a presença da prefeita Luizianne Lins. A passagem de ônibus na Capital e nos municípios da Grande Fortaleza, aos domingos, foi reduzida para R$ 1,00 (com meia de R$ 0,50). O preço da passagem de trem também sofreu redução. O preço da viagem passou de R$ 1,30 para R$ 1,00.

Marcela Belchior da Redação

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