Por que não pensar uma Fortaleza com ciclovias interligadas, que garantam trânsito descongestionado e despoluído e mais espaço livre? A cidade das bicicletas é o sonho de estudantes de Arquitetura e Urbanismo da Unifor

Há uma rede de ciclovias imaginárias em Fortaleza. Que despolui e descongestiona o dia-a-dia da Cidade. Garante acessibilidade e lazer aos cidadãos. Estimula a vida saudável e pode custar pouco aos cofres públicos. É bastante viável, mas ainda apenas imaginária. Alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Fortaleza (Unifor) criaram nos últimos quatro anos, em projetos de graduação sob a coordenação da professora Mônica Gondim, a proposta de integrar social e espacialmente a cidade através das bicicletas.

Na Capital, mais de 11% da população anda de bicicleta por necessidade. Por absoluta falta de renda, são pessoas que não vão de táxi, nem ônibus, não têm carro, moto. Acabam caindo na guerra do tráfego. Há um universo muito restrito para uma grande demanda reprimida. Fortaleza tem somente quatro avenidas com ciclovias: Washington Soares, Godofredo Maciel, BR-116 e Beira Mar.

O circuito pensado pelos graduandos, agora arquitetos, interliga pelo menos seis áreas da Capital: Zona Oeste, Beira Mar, Varjota, Praia do Futuro, Sabiaguaba e Cambeba-Cidade dos Funcionários. Os projetos foram feitos, respectivamente, por Lara Rios (2006), Beatriz Miranda (2004), Lissa Mota (2007), Ana Lívia Arcanjo (2006), Renato Diógenes Júnior (2006) e Suyane Braga (2007). O fato de Fortaleza ser plana é uma das maiores vantagens. O calor, o medo da violência e o carro sempre fora da garagem, os maiores empecilhos.

Em cada área, foram analisadas as condições atuais das vias, arborização, calçadas, onde é necessária a duplicação da rua ou o redesenho total do espaço. "No meu caso, estudei a hierarquia viária para propor um novo desenho, melhorar os fluxos, redesenhar os sentidos", explicou Lissa Mota. Seu projeto sugere intervenções em trechos próximos à Via Expressa e no entorno do riacho Maceió, na Varjota. O trabalho dela seria integrado diretamente ao de Ana Lívia Arcanjo, que propõe, entre várias alterações, via duplicada e totalmente arborizada na Praia do Futuro, com reorganização do espaço público para quem chega às barracas do local. Em todos os esboços, o espaço livre e pedestre são priorizados.

"Nas nossas diretrizes, os projetos não podem desapropriar, têm que ser pensados com o menor custo possível e que seja socialmente atraente. Não seja somente um projeto jogado sobre uma área e pronto", explica a professora. No Rio de Janeiro, na década de 90, Mônica Gondim foi coordenadora de duas propostas semelhantes, o Rio Orla e o Rio Cidade, que incluíram as ciclovias à paisagem dos cariocas.

Segundo ela, não é possível dizer quantos ciclistas se beneficiariam com a rede. "Seria necessário um estudo de demanda. No Rio, ninguém sabia quantas pessoas seriam atraídas pelas ciclovias". Lá, a violência seria um impeditivo muito maior. Para Mônica Gondim, cada projeto levaria cerca de um ano para ser executado. "Estamos querendo abrir uma comunicação com a administração municipal justamente para que eles tenham interesse em ver. Para mostrar que isso não é só um sonho nosso", afirma a professora.

Até esta reportagem, nunca houve oportunidade de os projetos dos alunos da Unifor serem expostos publicamente. No Programa de Transporte Urbano de Fortaleza (Transfor), que começa a ser executado este mês, está prevista a construção de 30 km de ciclovias na cidade.

Conheça os seis projetos de ciclovias citados na matéria. Acesse www.opovo.com.br/conteudoextra

Metrô Sul e Oeste

Agora dizem que vai. Depois de tantos percalços técnicos e financeiros, as linhas Sul e Oeste, as primeiras do Metrô de Fortaleza, devem finalmente começar a operar a partir de 2010. Pelo Sul, o trem irá da Estação João Felipe, no Centro, até a Estação Vila das Flores, em Maracanaú, passando por Pacatuba. De uma ponta a outra, cruzará 20 estações. Pelo Oeste, sai do Centro até Caucaia, com 14 paradas.

A capacidade inicial das duas linhas será de transportar 250 mil passageiros/dia. Em plena operação, serão 350 mil/dia. Imagine o alívio disso para o estrangulado sistema de transporte coletivo da Capital e sua interligação com a Região Metropolitana.

Nordeste

No Nordeste, atualmente, somente Recife tem metrô. O gerente de Transporte e Integração do Metrofor, Régis Tavares, explica que cidades com mais de 1 milhão de habitantes devem começar a pensar em metrô. O sistema público de transporte por pneus (ônibus, vans) têm flexibilidade de atender a várias áreas, podem refazer itinerários, mas têm restrição de capacidade.

"Quando há necessidade de transporte de massa, não se consegue mais atender por ônibus", argumenta. Numa única viagem, uma locomotiva pode levar mil passageiros. Um ônibus articulado (o "sanfonado", que terá 200 integrados à frota de Fortaleza com o Transfor) leva no máximo 180 pessoas.

Linha Leste

Para o lado de Fortaleza onde está a maior densidade urbana, a maior verticalização, quase 450 mil habitantes, 20% das atividades industriais e 35% do setor de serviços, comércio, lazer, turismo da Capital, o metrô ainda não vai. Pelo menos por enquanto. Uma das principais críticas ao Metrofor, a de que o projeto deixa descoberta a metade leste da Capital, poderá ter uma solução confirmada nos próximos meses.

O governo estadual já autorizou a abertura de licitação para contratar um estudo de viabilidade técnico-financeira à proposta de o Metrô de Fortaleza seguir para essas bandas também. Já existe inclusive um mapa. Todo o novo trecho dessa Linha Leste do Metrofor, de 9,8 km, deverá ser subterrâneo e poderá ligar o Centro da cidade ao campus da Unifor. O percurso principal deverá passar por baixo do pólo comercial e bancário da avenida Santos Dumont.

CONTEÚDO EXTRA

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