No debate entre formalidade e informalidade, dizem especialistas, é igualmente importante defender o crescimento da economia e proteger o emprego dos trabalhadores.

Embora destaque que a Prefeitura de Fortaleza tenha um olhar atencioso às iniciativa do terceiro setor da Capital, o diretor de gestão estratégica da cooperativa Pirambu Digital, Bruno Queiroz, diz que é preciso mais apoio aos projetos do gênero. Ele lembra que a cooperativa conta com incentivo do Ministério do Desenvolvimento Social, mas que o incentivo deveria partir do poder público mais próximo, como o Executivo Municipal. "Seria muito difícil estruturar a cooperativa se o Ministério não tivesse apoiado. Fica muito mais fácil para a Prefeitura enxergar iniciativas do que Brasília. Talvez eles pudessem ter sido bem mais rápidos se a Prefeitura tivesse enxergado isso e apoiado de alguma forma", apontou Bruno.

O incentivo não seria apenas financeiro. Bruno enfatiza que é preciso oferecer preparação profissional e acompanhamento das atividades. "A Prefeitura apóia esse tipo de iniciativa, mas a demanda é bem maior do que a oferta. Há muitos jovens que querem ganhar dinheiro dessa forma e a Prefeitura deve aumentar seus braços para dar conta desse tipo de iniciativa. Ainda falta muita coisa. Iniciativas como essa não crescem sozinhas", disse o diretor da cooperativa.

A formalidade não é apenas uma questão de crescimento da economia da cidade, mas, também, de proteção ao trabalhador, que se insere na legislação trabalhista. "Não é só a questão do investimento; é muito mais uma política pública de proteção ao emprego. O mais importante é que haja uma política de inclusão social, de geração de emprego e renda e garantias trabalhistas das quais o salário formal é fundamental", destaca o professor de Teoria Econômica da Faculdade de Economia, Atuária, Administração, Contabilidade e Secretariado (FEACCS) da Universidade Federal do Ceará (UFC), Fernando Pires de Sousa. (MB)

Acompanhamento

O superintendente do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) do Ceará, Carlos Cruz, destaca que, no caso das empresas, o incentivo vai além da formalização. Ele diz que é preciso realizar um acompanhamento das novas iniciativas até, pelo menos, dois anos após sua estruturação - período, apontado por ele, como sendo a etapa de consolidação de um negócio. "O microemprendedor não tem poupança para fundar seu negócio. Então, é preciso acompanhar por dois anos para que se possa minimizar ao máximo as chances de não dar certo", diz.

 

Para isso, é necessário subsidiar os micro empreendedores de conhecimentos sobre fluxo de caixa, preços de mercadorias, promoção de produtos, aliando o apoio ao crédito à comercialização. A confecção, segundo Cruz, é um dos pontos fortes de Fortaleza para investimento. Ele concorda que a área é acessível a grande parcela da população, mas destaca que antes de abrir um negócio no mercado formal é preciso preparação. "Você tem que estudar, se preparar, ter convicção de que aquele negócio vai dar certo. Aí está uma das grandes causas da mortalidade. Os indivíduos entram por necessidade, atabalhoadamente", observa Cruz. (MB)

RAZÕES DA INFORMALIDADE

Proprietários de empresas do setor informal da Região Metropolitana de Fortaleza dizem por que optaram por trabalhar informalmente.

Não encontrou emprego: 79.033

Oportunidade de fazer sociedade: 795

Horário flexível: 1.502

Independência: 32.596

Tradição familiar: 20.359

Complementação da renda familiar: 40.966

Experiência na área: 15.118

Negócio promissor: 11.181

Era um trabalho secundário: 1.751

Outro motivo: 5.770

O FUTURO EM PLANEJAMENTO

Confira quantos e como proprietários de empresas do setor informal da

Região Metropolitana de Fortaleza planejam o futuro do negócio.

Aumentar o negócio: 102.672

Continuar o negócio no mesmo nível: 46.023

Mudar de atividade e continuar independente: 17.392

Abandonar a atividade e procurar emprego: 29.255

Não sabe: 8.538 Outros planos: 5.192

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