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Brésil Ceara Fortaleza

4.734 km de rodovias danificados no Ceará

Rita Célia Faheina do Povo

CEs e estradas vicinais do Interior estão prejudicadas com as fortes chuvas que caem desde o mês passado. Há comunidades isoladas por causa dos arrombamentos de açudes e pontes quebradas. O DER aguarda que as chuvas cessem para recuperar as rodovias

Buracos, pontes quebradas, pequenas lagoas, lama. Chega a um ponto que só mesmo a pé e com dificuldades se consegue trafegar. É como se encontram as estradas vicinais, as vias que dão acesso aos distritos e localidades dos municípios. Com o volume de águas acima do normal neste período chuvoso, o arrombamentos de pequenos açudes e a sangria dos maiores, muitas comunidades continuam isoladas. Crianças estão sem aulas porque nem o transporte escolar consegue transitar pelas estradas estreitas. As CEs também apresentam trechos muito estragados.

De acordo com o boletim da Coordenadoria Estadual da Defesa Civil, 4.734 quilômetros de rodovias (CEs e estadas vicinais) estão danificados por causa das chuvas. Distância quase igual à viagem de Fortaleza à cidade de Chuí, extremo sul do Brasil, no Rio Grande do Sul, na divisa com o Uruguai, que é de 4.757 quilômetros. Segundo o DER, a malha rodoviária do Estado (CEs) é de cerca de 11 mil quilômetros. O órgão não tem a extensão das estradas vicinais porque elas são de responsabilidade dos municípios.

"Estamos caminhando cerca de três quilômetros para pegar um transporte até a cidade. Quem tem uma moto consegue chegar lá, porque nem o pau-de-arara que leva as crianças pra escola está passando por aqui", informa a dona-de-casa Lúcia do Nascimento, que mora na localidade de Carnaúbas, em Santana do Acaraú. Desde a sede do município até o distrito são 18 quilômetros na estradinha cheia de altos e baixos, passagens molhadas, trechos que só com muita habilidade do motorista consegue-se ultrapassar.

Sem acesso

A maioria das estradas vicinais na região Norte do Estado se encontra em péssimas condições por causa das enchentes iniciadas na segunda quinzena de maio. "A gente só vai à cidade quando é muito necessário porque a estrada está muito ruim. Tem riacho cortando, muitos barrancos e um lamaçal danado", diz o agricultor Hélio Alves da Silva, que mora no distrito de Jerimum, onde fica o açude de mesmo nome, no município de Irauçuba, a 148 quilômetros de Fortaleza. Na mesma situação se encontram as estradas que cortam as zonas rurais de Crateús, Mauriti e Lavras da Mangabeira.

Em Crateús, a 401 quilômetros de Fortaleza, o acesso a distritos como Santo Antônio, Oiticica, Santo André, Cabeça de Onça e Monte Nepo, está muito ruim. Há localidades que estão com as aulas suspensas porque não há condições de tráfego e nem tem como as crianças e adolescentes chegarem à pé. "As chuvas diminuíram, as águas do rio Poty baixaram, mas não tem como consertar os estragos agora. Ainda estamos no período chuvoso", diz o prefeito José Almir Claudino Sales. Ele acrescenta que há tantos problemas que vai precisar da ajuda do Governo do Estado. O município é o que apresenta o maior número de quilômetros com estragos nas estradas: 980 km, segundo o boletim da Defesa Civil.

As aulas também estão suspensas por 15 dias no município de Lavras da Mangabeira, na Região do Cariri. Isso porque o transporte escolar não tem acesso aos distritos afetados pelas enchentes do rio Salgado. Iborepi, Arrojado, Amaniutaba e Quitaús são as localidades mais afetadas. Ainda há famílias abrigadas em prédios públicos. "As águas começaram a baixar, por isso estamos mais tranqüilos na cidade. A prefeitura está cuidando da reconstrução das casas e da ajuda aos desabrigados", informa Itamar Sousa, assessora da prefeitura do Município, que fica a 423 quilômetros de Fortaleza. Ele disse que a prefeitura tentou enviar tratores para melhorar as estradas, mas as máquinas não conseguiram chegar aos locais.

O trem é o único transporte que chega à localidade de Iborepi, em Lavras da Mangabeira, que está isolada. Dois pequenos vagões da Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN) passam o dia fazendo o trajeto levando passageiros, profissionais do Programa Saúde da Família (PSF), alimentos e remédios para as famílias. Equipes de bombeiros e das defesas civis do Estado e do Município atendem às populações que estão isoladas.

 

 

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