De um lago, trabalhadores com cargas horárias estressantes e desgastantes que comprometem a qualidade de vida, e até mesmo o rendimento no trabalho e na vida familiar; do outro, milhares de pessoas que continuam desempregadas. É no contexto destas duas realidades brasileiras que está a principal demanda deste 1º de Maio de 2008: a redução da jornada de trabalho. O tema será levado às ruas em várias cidades do país para celebrar a data histórica.

Entidades como a Central Única dos Trabalhadores, Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e diversas organizações e movimentos sociais vêem a redução de 44 para 40 horas de trabalho uma solução mais que plausível. Por isso, no Dia do Trabalhador as palavras de ordem devem reforçar a luta, destacando a importância do Abaixo-Assinado da Campanha Nacional pela Redução de Jornada de Trabalho, sem redução de salário.

O Projeto de Emenda a Constituição (PEC) 393/2001 foi apresentado ao Congresso em 2001, mas até hoje não foi aprovado. Com ele, o Dieese estima que mais de dois milhões de trabalhadores desempregados poderão ingressar no mercado formal. Assim, haverá um aumento da massa salarial e uma conseqüente redistribuição da renda.

O ganho não será só no âmbito social, mas também no econômico, já que com o aumento da demanda interna, aumentarão as vendas do comércio, estimulando o desenvolvimento da industria nacional. Além disso, a Previdência será desafogada, pois com mais trabalhadores formais aumentará o número de contribuintes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Em nota oficial, a Comissão Brasileira Justiça e Paz, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), apoiou a campanha das Centrais Sindicais pela redução: "a jornada de 40 horas semanais, sem redução de salário, permitirá a cada trabalhador(a), tempo afim de que se dedique a atividades de formação cultural e outras, além de espaço para os cuidados com a saúde, o lazer e o convívio familiar".

Para o Dieese, a longa jornada, além de prejudicial para o convívio familiar, traz para os trabalhadores problemas relacionados à saúde como estresse, depressão, lesões por esforço repetitivo (LER). A qualidade de vida do trabalhador é ponto fundamental nessa luta pela redução da jornada, sem redução salarial.

A programação do dia do trabalhador tem atividades amanhã em quase todos os estados do país. Em São Paulo, a comemoração será na capital, com um Ato Político e atividades culturais, no autódromo de Interlagos, das 12h às 18h. No Rio de Janeiro, às 15 horas na Lapa, haverá um showmício com a participação de figuras de destaque da música popular brasileira, e lideranças sindicais e populares.

Já no Mato Grosso, a CUT aderirá à programação da 20ª Romaria dos Trabalhadores e das Trabalhadoras. Às 07h30, haverá o Culto Ecumênico na Igreja do Rosário, seguido de uma caminhada até o ginásio São Gonçalo, que terá início às 08h30.

No Ceará, a Praça do Ferreira, na capital Fortaleza, será o palco da comemoração; enquanto, em Alagoas, uma caminhada pela Orla de Maceió, saindo da praia Jatiúca às 10h00, reunirá os trabalhadores. Há programação também em Minas Gerais, Piauí, Sergipe, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Norte, Goiás, Rio Grande do Sul, Bahia e Espírito Santo.

Fonte : www.adital.com

Retour à l'accueil