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Brésil Ceara Fortaleza

Literatura de cordel estimula estudantes na sala de aula

Rita Célia Faheina - O Povo

Professores cearenses dão o exemplo de experiências que baixam os índices de analfabetismo, incentivam a leitura e ensinam a valorizar os conhecimentos regionais

Um carrinho de supermercado carregado de livros; a literatura de cordel usada para melhorar a escrita e a leitura dos alunos; a aprendizagem e a formação das crianças de acordo com a realidade que vivem no campo; o cantinho da leitura na escola para desenvolver o Projeto Eu Sou Cidadão - Amigos da Leitura, a presença dos pais nas aulas de educação infantil. São iniciativas de professores cearenses do Interior que obtiveram bons êxitos pedagógicos até recebendo prêmios nacionais. Outro bom exemplo é o projeto Oba Jovem, idealizado por um professor de São Benedito, na Serra da Ibiapaba, que ensina os estudantes a valorizar a cidade e divulgá-la para todo o País.

As rimas que encantam da professora Francisca das Chagas Freitas Moreira, a Chaguinha, lhe renderam bons resultados em sala de aula, melhorando a escrita e a leitura dos alunos de ensino fundamental no Sítio Barrinha, em São Gonçalo do Amarante. O que Chaguinha fez? Investiu na literatura de cordel ensinando os alunos a valorizar o conhecimento da região. Os alunos da 8ª série (atual 9º ano) se encantaram com Patativa do Assaré, passaram a copiar e recitar os poemas do maior poeta popular do Brasil. "Quase não conseguia que eles se desgrudassem do computador", diz Chaguinha.

E, para ter acesso à pesquisa on line, não foi fácil para a professora de Língua Portuguesa da Escola José Pinto Magalhães. O primeiro obstáculo foi introduzir os alunos na informática. "Muitos nunca tinham nem tocado num computador", recorda. Com o apoio da Secretaria estadual da Educação, ela levou a turma para ter noções básicas de informática e Internet. Eram 36 quilômetros de uma estradinha de chão batido até o local das aulas. Valeu o esforço.

O Projeto Cordel: Rimas que Encantam rendeu a Chaguinha o prêmio de Educadora Nota 10 há dois anos. Recebeu livros no valor de R$ 10 mil e uma bolsa de estudos para fazer pós-graduação na universidade que escolhesse. Ela concorreu com 3.800 projetos enviados de todo o País à Fundação Victor Civita.

"Dizem que eu sou uma sonhadora e que se não me amarrarem, saio voando. Mas acho que, quem não sonha é um vegetal e, além de sonhar, tenho ousadia e acredito que quando a gente tenta, dá certo". O otimista da professora contagia a localidade onde vive que fica a quatro quilômetros da sede do município. O projeto continua e serve de exemplo para as demais da rede pública. São 32 unidades educacionais e sete creches.

Maria de Araújo é uma professora tão determinada quanto Chaguinha. Ela conseguiu mudar a realidade educacional e cultural do Assentamento Santana, em Monsenhor Tabosa, a 324 quilômetros de Fortaleza, além de comunidade vizinhas que estudam na Escola de Ensino Fundamental e Médio São Francisco. "Temos um compromisso de manter a nossa cultura e identidade camponesas". Lembra que, em 1986, 90% dos assentados (480 pessoas que formam 77 famílias) eram analfabetos. Atualmente esse percentual é de apenas 1%.

O Projeto Escola no Campo prioriza a cultura do trabalhador rural e qualifica jovens para a vida no campo. Maria lembra que, desde julho de 2004, os estudantes do Assentamento Santana ganharam o Centro Rural de Inclusão Digital (Crid). "Os jovens são gestores e ficaram responsáveis pela continuidade das ações. Também já temos a Rádio Escola com o apoio da Organização Não Governamental (ONG) Catavento que trabalha a educação e a cultura". Segundo a professora, o conjunto de ações minimizou a número de jovens que deixam a cidade para ir trabalhar em outros locais. Em Independência, a Escola Família Agrícola desenvolve um projeto parecido. A educação para o campo resgata a cultura e busca manter os jovens na zona rural.

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