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Brésil Ceara Fortaleza

Livro conta histórias de rendeiras de bilros

Rota Célia Faheina

Cientista política lança livro sobre as rendeiras de Canaan, distrito de Trairi. A obra traz história de vida dessas mulheres que mantêm a tradição da renda de bilros

 

"...E os dedos trocam os bilros

num vaivém de ritmos atroantes

e é como se mãos de crianças se enredassem nos

desenhos do estrado

que a artesã-rendeira vai ao tempo bordando..."

A Rendeira, de José Alcides Pinto

 

"Em Canaan, todo mundo faz renda e eu aprendi, ainda criança, com minha mãe". A infância da cientista política Rosa de Lima Cunha, 66, vivida no pequeno distrito de Trairi, no Litoral Oeste do Ceará, foi o maior incentivo para que retornasse à localidade e iniciasse um trabalho de organização das mulheres que fazem rendas de bilros. Há três anos, acompanha a atividade solidária de 170 mulheres rendeiras que mantêm a tradição passada de geração a geração há um século.

 

O trabalho de Rosa gerou bons frutos. Criou-se uma associação das trabalhadoras e foi feita a organização para o comércio, eliminando a presença do atravessador. "Antes, as rendeiras do Canaan vendiam as peças fabricadas de acordo com a sua necessidade. Podia valer um caderno, um quilo de farinha, o produto que ela estivesse precisando no momento. Agora, não. Participam de feiras até fora do Estado e vendem para a Central de Artesanato (Ceart), em Fortaleza", diz a cientista política.

 

Rosa Cunha mora em Brasília há mais de 30 anos e começou a acompanhar as mulheres rendeiras de Canaan depois de se aposentar. "Buscamos resgatar o belo da renda de bilros. Hoje, há muitas peças industrializadas e foi desvalorizado o trabalho feito à mão". Para incentivar ainda mais e manter viva essa tradição nordestina, a cientista política, que nasceu em Canaan, vai lançar um livro no próximo dia 26, sobre as trabalhadoras que sobrevivem de sua arte.

 

Tecendo Rendas e Vidas - Artesãs de Canaan é o título que escolheu para as histórias das mulheres rendeiras. "São gerações de 13 anos a 94 anos de idade, suas formas de vida, sua arte, fé, sonhos". Rosa contou com a colaboração da arquiteta mineira Cheila Aparecida Gomes, 58. A apresentação do livro, no Theatro José de Alencar, em Fortaleza, será acompanhada por um recital de música com a pianista Joana Cunha de Holanda, natural de Brasília. Ela é professora de piano na Universidade Federal de Pelotas. "A festa do lançamento do livro é das rendeiras de Canaan, por isso, quero que ela estejam presentes", conclui Rosa Cunha.


Rita Célia Faheina da Redação do Povo


SERVIÇO

 

 

Lançamento do livro Tecendo Rendas e Vidas - Artesãs de Canaan, de Rosa de Lima Cunha e Cheila Rosa Aparecida Gomes, dia 26 próximo, com recital de piano da brasiliense Joana Cunha de Holanda, professora da Universidade Federal de Pelotas. Às 19h no foyer do Theatro José de Alencar - entrada gratuita.

 

SAIBA MAIS

O trabalho com bilros é feito numa pequena almofada dura, sobre a qual se fixa um cartão, perfurado segundo o desenho, que orienta a rendeira. Os fios presos aos bilros - pequenas peças de madeira torneada em forma de pêra - se entrelaçam com o movimento rotativo que lhes imprime a rendeira. Ela pega e retém os pontos, um a um, com alfinetes, que são mudados de lugar à medida que o trabalho progride.

 

Os bilros são manejados por pares, simultaneamente; padrões muito complexos podem exigir o emprego de 14, 18 ou mesmo mais de 20 pares de bilros. No passado as rendeiras se reuniam na casa de uma delas, ou na porta da rua, na calçada, nas praças, debaixo das árvores e, enquanto faziam renda, conversavam, cantavam, diziam versos.

 

A manufaturaria de rendas em Portugal é anterior ao século XVIII, tendo atingido seu apogeu no século seguinte. De inspiração flamenga, a renda de bilros se difundiu no norte do país, espalhando-se depois por todo o litoral, entre as povoações de pescadores.

 

No Nordeste brasileiro, as rendeiras se concentram no litoral. São mulheres e filhas de pescadores. Sua atividade permite-lhes auxiliar as despesas da casa, raras vezes constituindo meio de vida autônomo. O aprendizado inicia-se por volta dos 6 anos de idade, quando a menina já tem os instrumentos da rendeira -almofada e bilros - incluídos entre os seus brinquedos.

 

As rendas mais encontradas são "a metro" (em bicos ou pontas, usadas para margear os tecidos e entremeios); "em quadros" (compondo quadrados de diversos tamanhos que, depois de prontos, são costurados e formam toalhas de mesa, guardanapo, colchas etc.); "aplicações"(em forma de flores, folhas, corações e leques, servem para enfeitar tecidos e palas); e "inteiriças" (numa peça só, difíceis de fazer, são aplicadas no decote de camisolas, blusas, vestidos e roupas de crianças).

FONTE: Sebrae-CE

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