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Brésil Ceara Fortaleza

Importações crescem 158,8%

Diario do Nordeste

O resultado, que antes demandava preocupações, hoje é sinônimo de competitividade e crescimento futuro

 

´O Ceará está mudando o perfil das relações internacionais´. É o que afirma Eduardo Bezerra, superintendente do CIN (Centro Internacional de Negócios), da Fiec (Federação das Indústrias do Estado). Sua constatação baseia-se nos dados recentes da balança comercial cearense que, em junho, apresentou déficit de US$ FOB de 88,18 milhões. As importações somaram US$ FOB 195,56 milhões, valor 158,8% superior à igual período de 2007 ( US$ FOB 75,56 milhões) e a maior variação, no mês de junho, desde 1999. O resultado que em anos anteriores demandava preocupações hoje é sinônimo de competitividade e crescimento futuro.

 

No período de janeiro a junho, as compras no mercado internacional, de US$ FOB 767 milhões, mostrou um aumento de 84,5% em relação ao mesmo período do ano anterior (US$ FOB 415,60 milhões). Com isso, o saldo da balança comercial termina o primeiro semestre com um saldo negativo de US$ FOB 165,4 milhões. Vale ressaltar que as importações cearenses representam 0,9% das importações brasileiras.

 

Países

 

Segundo Eduardo Bezerra, O Ceará está investindo maciçamente nas indústria de energia eólica e na modernização dos parques industriais. ´Esse déficit ´terrível´ na balança comercial não é preocupante; significa que o Estado está se preparando para ser mais competitivo nesse mercado conturbado´. Outro mudança significativa destacada por ele foi o fato de países como China (US$ FOB 120 milhões) e Índia (US$ FOB 93,66 milhões) passarem à frente dos fornecedores tradicionais, como EUA (US$ FOB 87,37 milhões) e Alemanha (US$ FOB 39 milhões).

 

´A Ucrânia (US$ FOB 30,43 milhões) já é o décimo no ranking entre países que exportam para o Estado e Taiwan (US$ FOB 16,5 milhões) — que não tinha expressão no comércio exterior — é o décimo segundo´, acrescenta Eduardo Bezerra. É destaque também a Espanha (6.212%) e o Canadá (558,2%) que exporta principalmente trigo para o Ceará.

 

Produtos

 

Conforme os dados do CIN/CE, a pauta de importações no primeiro semestre também apresentou comportamento diferente frente à igual período de 2007. Os setores com maior representatividade foram os de geradores elétricos, que variaram 2.171,8%; gorduras e margarinas (250%); químico (200%); máquinas (138,8%); e ferro e aço (129,1%).

 

Entre os produtos que impulsionaram as compras externas estão as máquinas para elevação de cargas (26.596,3%); outras máquinas e aparelhos mecânicos com função própria (1.221,1%) e os laminados de ferro/aço, alguns tipos variando em até 350%.

 

EXPORTAÇÃO

Mel, lagosta e frutas foram os destaques da pauta local

 

Na pauta de exportações cearense, os setores que se destacaram, no semestre, foram mel natural (113,1%), lagosta (111,3%), fruticultura (72,1%) e couros (66,2%). Apresentaram recuo nas vendas para o exterior, o camarão (-81,4%), flores (-11%) e têxteis (-10,8%). Mesmo com influência negativa na balança comercial, as exportações cearenses, em junho alcançaram US$ 107,4 milhões, valor 28,7% maior em comparação com mesmo período de 2007, que chegou a US$ 83,4 milhões. No primeiro semestre, o Ceará exportou 15,3% a mais que em 2007.

 

Na região, o Estado é o terceiro no ranking, ficando atrás apenas da Bahia (US$ 4,3 bilhões) e do Maranhão (US$ 987,54 milhões). O Nordeste exportou US$ 7,25 bilhões, com uma participação no resultado nacional de 8% .

 

Quanto aos países destinos, foi observado comportamento semelhante ao dos fornecedores. O crescimento de negócios com o mercado exterior ocorreu com maior impulso com o Vietnã (218,1%), Reino Unido (83,6%), Rússia (75,5%) e China (59,1%). De acordo com Eduardo Bezerra, superintende do CIN, ´a Rússia é um crescente consumidor de frutas e esse mercado tende a se tornar o primeiro do mundo. Aquele país está se desenvolvendo e deverá importar mais´.

 

Na relação produto x destino, a castanha de caju representou 34,3% das importações dos Estados Unidos; o couro corresponde a 73,8% das compras da Itália; calçados e produtos têxteis respondem por de 90% das importações da Argentina; e as frutas representam 66,3% das importações da Holanda.

 

NÚMERO FACTÍVEL

Governo eleva meta anual de vendas

 

Brasília. O ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) anunciou a elevação da meta de exportações do País em 2008 para US$ 190 bilhões, US$ 10 bilhões a mais do que o anteriormente previsto. Mas a nova projeção, segundo analistas, não necessariamente vai significar redução nas estimativas de alta no déficit em conta corrente — que inclui todas as transações de bens, serviços e rendas do Brasil com o exterior — neste ano, que ultrapassam os US$ 20 bilhões.

 

A nova meta foi anunciada ontem, em Hanói, pelo ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge. Hoje, o MDIC divulgou nota explicando que reviu a meta depois de analisar o desempenho das exportações do País no primeiro semestre e as perspectivas para o segundo.

 

O MDIC não faz previsão para o comportamento das importações, por isso também não faz oficialmente projeções sobre o saldo da balança comercial. No ano passado, a balança teve superávit de U 40 bilhões. Para este ano, as estimativas feitas até agora por instituições privadas e órgãos públicos indicavam redução expressiva neste saldo.

 

De janeiro a junho deste ano, de acordo com dados do Ministério, as exportações brasileiras somaram US$ 90,645 bilhões, valor 23,8% maior que o registrado no mesmo período do ano passado (US$ 73,214 bilhões). Nessa mesma base de comparação, as importações aumentaram 50,6% e somaram US$ 52,635 milhões.

 

O professor de economia da PUC-SP e especialista em setor externo, Antônio Corrêa de Lacerda, considera adequada a nova meta de vendas ao exterior, que, segundo ele, estava muito baixa. Com a alta nos juros, não há expectativa de reversão na tendência de baixa cotação do dólar, o que deve continuar estimulando as viagens ao exterior e as remessas de lucros e dividendos, que têm tido forte impacto negativo nas contas externas. A alta nos preços internacionais das commodities favorece o País.

 

Isildene Muniz - Repórter
12/07/08

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