Overblog Suivre ce blog
Editer l'article Administration Créer mon blog
Brésil Ceara Fortaleza

Reflexo da escalada da commodity

Diario do Nordeste

Petróleo ameaça agricultura e indústria do País

 

Por outro lado, a subida de preço da commodity abre espaço para investimento em energias alternativas

 

O vigor das elevações do preço do barril de petróleo no mercado internacional, registrado nos últimos 12 meses, ameaça diversos setores da economia brasileira, mas também abre espaço para outras oportunidades. Neste período, o valor da commodity acumula variação de 81%.

 

Os desafios econômicos recaem, principalmente, sobre setores produtivos e agricultura, como também sobre o governo, que deve controlar os repiques de inflação no País.

 

Por outro lado, os exportadores, produtores de etanol e biocombustíveis, empresas do setor de energia alternativa encontram-se em posição, de certa forma, de menor impacto.

 

Analistas, consultados pela reportagem, delinearam o cenário, ocasionado pela escalada do preço do petróleo.

 

Choque especulativo

 

Para o economista e professor da Universidade de Fortaleza, Henrique Marinho, o quadro reflete ´um choque especulativo do petróleo´. Ele explica que ´os maiores países produtores da commodity estão manipulando os preços, assim como há também uma especulação no mercado futuro´. De acordo com ele, uma solução é incerta. ´Não se sabe até quando vai perdurar essa situação. Só os países com as maiores economias podem resolver, mas nem eles estão conseguindo´.

 

Marinho destaca que setores como a agricultura, que trabalha com fertilizante (um dos derivados do petróleo), ressente a alta do preço da commodity. ´Outro exemplo é a indústria da construção civil, que usa PVC e outros plásticos. Estes insumos estão mais caros. Além da indústria automobilística, que também trabalha com derivados do petróleo´. Ele acrescenta que as recentes descobertas de poços pela Petrobras sinalizam um alívio para a economia do País. Destaca, no entanto, que esse alívio ainda demora uns quatro a cinco anos.

 

Para o economista Lauro Chaves Neto, com essas descobertas, o Brasil pode vislumbrar uma maior participação no clube dos maiores produtores de petróleo, o que vai mexer com o mapa geopolítico mundial. ´O País vai ganhar posição de destaque nas negociações comerciais, o que beneficiará exportações brasileiras´, diz.

 

O diretor do Instituto Brasileiro de Executivos Financeiros (Ibef-CE), Delano Vasconcelos, ressalta que o cenário deve impulsionar a geração de energias alternativas, como a eólica, termelétricas e solar, além da produção de etanol e biocombustíveis. ´São opções que vão minimizar o impacto da subida do preço do barril de petróleo´.

 

ANALISTAS APONTAM

Até greve no Brasil é desculpa para a alta

 

Rio. O Brasil entrou na lista de desculpas para a alta do petróleo, que chegou a ultrapassar os US$ 147 por barril ontem, em mais uma prova, segundo especialistas, de que a especulação é a grande responsável pelas altas cotações. O petróleo negociado em Nova York fechou ontem a US$ 145,08, o barril, após bater recorde histórico de US$ 147,27 durante o pregão. Além de crises no Irã e na Nigéria, analistas internacionais apontaram a ameaça de greve com paralisação da produção no Brasil como uma das causas.

 

o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, questionou a relação de uma greve no Brasil com as cotações internacionais. ´Essa é a prova de que as variações diárias no preço do petróleo não querem dizer muita coisa. As notícias acabam levando nervosismo ao mercado, independentemente do tamanho do significado delas. Então é mais criação de expectativas irracionais do que retrato da realidade´, afirmou.

 

O jornal britânico Financial Times foi um dos que citou, em reportagem publicada ontem em seu site, a greve brasileira como um dos fatores que pressionam o mercado. Os petroleiros da Bacia de Campos, responsável por 80% da produção nacional de petróleo, anunciaram na última quinta-feira que iniciam, à meia-noite de segunda-feira, greve de cinco dias com paralisação na produção nas 36 plataformas da região.

 

Gabrielli disse que a Petrobras está preparada para que uma eventual paralisação não afete o volume produzido.

Carol de Castro – Repórter

12/07/08

 

Commentaires