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Brésil Ceara Fortaleza

Acordo nuclear entre Brasil e Argentina gera polêmica

Adital

Organizações não-governamentais e movimentos sociais de diversos países da América do Sul divulgaram uma nota de repúdio ao acordo nuclear entre Brasil e Argentina e à conseqüente nuclearização da América do Sul. A nota foi divulgada após o anúncio, feito pelo presidente do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva, e pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner, da criação de uma empresa binacional destinada ao enriquecimento de Urânio, à produção de radioisótopos e ao desenvolvimento de reatores nucleares.

Segundo a nota, os presidentes desprezaram a opinião pública de seus países, que se mostrou majoritariamente contrária à construção de Centrais Nucleares. "A iniciativa forma parte de um ‘Pacote Nuclear’ conjunto muito maior, que envolve outros 61 projetos no setor. Todos eles elaborados e decididos secretamente, sem nenhuma consulta às populações, às comunidades científicas, nem sequer aos parlamentares dos dois países, igual aos mais sombrios tempos das ditaduras que assolaram Brasil e Argentina anos atrás", afirmam.

 

As entidades também criticaram o fato de o pacote brasileiro-argentino estar baseado em planos megalomaníacos de instalação de 12 a 15 centrais nucleares na América do Sul até o ano de 2030, o que estende a "aventura nuclear" a países como Chile, Uruguai, Peru, Venezuela, Bolívia e Equador. "Lamentavelmente, Argentina, apesar de sua situação econômica, decidiu apostar em uma forma de energia cara e superada, retomar as obras de Atucha II depois de uma paralisação de muitos anos e anunciar a construção de outras duas novas centrais, assim como a abertura de perigosas atividades de mineração de urânio", acrescentam.

 

Criticam também a posição brasileira em optar por ressuscitar uma indústria nuclear que já foi responsável por um terço da dívida externa na década de 80, custando aos cofres públicos cerca de 40 bilhões de dólares. "O presidente do Brasil é ainda mais ambicioso, mesmo não tendo resolvido até hoje o problema da disposição final dos resíduos nucleares das centrais Angra I e II, lançou o desafio de fazê-lo em 60 dias quando a indústria nuclear mundial não conseguiu em mais de 50 anos", afirmam. 

 

Segundo as organizações, quem vai pagar a conta do "enorme festival nuclear" será o cidadão comum, que também estará exposto aos riscos do ciclo nuclear. Para elas, Brasil e Argentina parecem não perceber a oportunidade de liderança que poderiam exercer nas discussões sobre as mudanças climáticas, na busca de novas fontes de energia, ao sujar suas matrizes energéticas com a imposição de "pacotes nucleares" e com o fomento a um ambiente de insegurança na região.

 

Seguem os nomes de algumas das organizações que assinaram a nota: Amigos da Terra (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Costa Rica, América Latina e Caribe), Sociedade Angraense de Proteção Ecológica, ATLAS - Terra de Laranjeiras, INESC, FASE, Programa Argentina Sustentável, Bios Argentina, Greenpeace Argentina, Associação Ecologista Piuke - Bariloche, Rede Uruguaia de ONGs Ambientalistas, Instituto de Ecologia Política do Chile, Chile Sustentável, Programa Conesul Sustentável, Rede de Rios Internacionais.

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=34921

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