Pesquisa do IBGE mostra que o percentual de adolescentes que tiveram filhos no Ceará diminuiu e é menor do que o registrado na Região Nordeste. Mas o número de jovens cearenses nessa situação ainda preocupa

 

O número de adolescentes grávidas no Ceará diminuiu nos últimos 15 anos. O percentual de jovens entre 15 e 17 anos que já tiveram filhos caiu de 4,04%, em 1992, para 3,23%, em 2007. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) - realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no ano passado - mostram ainda que o percentual do Estado é menor do que o registrado na Região Nordeste, que foi de 3,66% em 2007.

 

Mesmo com a redução, os números ainda preocupam: são 15.783 adolescentes no Estado e 6.062 na Capital que já tiveram um ou dois filhos. A diretora da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand, Zenilda Bruno, lembra que gravidez na adolescência é caso de saúde pública. "É um risco para essas jovens engravidarem tão cedo. Também é ruim porque mais da metade delas acabam abandonando a escola", avalia.

 

De acordo com Zenilda, o número de casos no Ceará diminuiu porque o acesso aos métodos anticoncepcionais ficou mais fácil. "A distribuição é gratuita nos postos de saúde", informa. Para se ter idéia da redução, em 1992, 747 jovens entre 15 e 17 anos declararam já serem mães de três filhos. Em 2007, todos os casos registrados foram de adolescentes que tiveram, no máximo, dois filhos.

 

Segundo o IBGE, a taxa de fecundidade das adolescentes caiu em todas as regiões do Brasil. As maiores reduções foram no Nordeste e no Sudeste. A pesquisa também aponta que a queda foi maior no grupo de jovens com renda mais elevada. "A maioria das que engravidam é de classe social mais baixa e com pouco tempo de estudo", observa o chefe da unidade estadual do IBGE, Francisco Lopes. "E depois que engravidam, muitas não concluem os estudos", acrescenta.

 

A estudante Flaviana Barbosa, que mora em Fortaleza, pode ser considerada uma exceção. Mesmo engravidando aos 15 anos, ela conseguiu concluir o ensino médio e hoje - aos 21 anos - cursa Publicidade e Propaganda. "Estudava à noite e minha mãe ficava com o meu filho", explica. Mas ela conta que não foi fácil. "Meus pais ficaram tristes porque eu ainda era uma criança. Disseram que tinha de assumir a responsabilidade". Flaviana precisou conciliar os estudos com o trabalho. "Tive de começar a trabalhar cedo. E todo dinheiro que recebia era só para pagar a creche dele. Não ficava com nada", lembra.

 

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