Para conhecer parte do que o Brasil já documentou sobre seu patrimônio imaterial, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou sete projetos no Edital de Mapeamento, Documentação e Apoio do Patrimônio Cultural Imaterial. Entre os 38 trabalhos enviados, está um projeto cearense. A proposta é vasculhar acervos públicos e particulares em busca de documentos, trabalhos acadêmicos, fotografias, vídeos e materiais que registrem expressões e modos de fazer que guardam a identidade nacional. O trabalho não é de campo. Os projetos vão se debruçar sobre o que existe como documento, mas está disperso.

"Nessa área, os departamentos enfrentam um desafio que é a escolha do que vai ser pesquisado e documentado. O edital vem ao encontro dessa dificuldade. Vamos ter um panorama geral das expressões imateriais, isso ajuda a determinar prioridades. É um pontapé inicial para desenhar políticas públicas de preservação", diz a gerente de fomento e apoio do departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan, Teresa Paiva Chaves. A 4ª Superintendência Regional do Iphan, com sede em Fortaleza, se adiantou e iniciou o processo de registro do patrimônio imaterial do Cariri.

A banda cabaçal dos Irmãos Aniceto e a Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio são algumas das expressões registradas pelo Iphan. Além do levantamento, o edital prevê a elaboração de um diagnóstico sobre as condições em que os materiais estão guardados e o acesso do público a eles. No Ceará, o projeto de Mapeamento do Acervo Documental do Patrimônio Imaterial do Estado, elaborado pela Associação dos Amigos do Arquivo Público, vai pesquisar o acervo bibliográfico da Biblioteca Pública Menezes Pimentel, da Biblioteca do Centro de Humanidades da Universidade Federal do Ceará, da Universidade Regional do Cariri, da Universidade do Vale do Acaraú e das sedes da Universidade Estadual.

"Tem várias outras possibilidades de pesquisa, mas temos um cronograma e colocamos como prioridade as bibliotecas universitárias que já têm uma organização", explica uma das coordenadoras do projeto, a historiadora Ana Carla Sabino Fernandes. Junto com Ana, outro historiador, dois antropólogos e uma bibliotecária participam da execução do inventário, que tem que estar pronto em novembro do ano que vem. A historiadora acredita que um levantamento "mais palpável" vai permitir o estabelecimento de metas de preservação da memória coletiva.

"Vemos a presença da oralidade, os costumes, poesias, músicas, mas muitas vezes isso não está catalogado. Existem muitos trabalhos de dissertação de mestrado analisando a história da dança do coco, por exemplo, mas não estão atrelados a uma leitura de patrimônio, estão mais relacionadas com o conceito de cultura popular. Tudo bem, mas como se guarda isso?", questiona Ana. A Associação dos Amigos do Arquivo Público tem até o dia 30 de novembro para enviar toda a documentação necessária e concluir o convênio com o Iphan. Ao todo, R$ 536.000,00 serão destinados aos projetos aprovados.

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