Modelos de carrinhos que ofereçam condições mais dignas de trabalho a catadores podem ser produzidos ainda este ano

O Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-CE), está produzindo dois protótipos de carrinhos onde catadores de lixo vão poder transportar material reciclável. De acordo com o presidente da entidade, Antônio Salvador da Rocha, os equipamentos custarão aproximadamente R$ 5 mil e serão testados na comunidade do Gato Morto e no bairro Pirambu ainda neste semestre.

“A idéia é de que instâncias governamentais financiem a produção desses carrinhos ou que empresas se interessem pelo projeto e os produzam em larga escala”, observou Rocha.

O Crea promoveu no ano de 2005, concurso para a execução de carrinhos ou carraças para o transporte de lixo reciclável. No entanto, nenhuma unidade do modelo vencedor foi produzido.

Para o presidente do Conselho, é conseqüência da demora em se fazer um protótipo. “As empresas acabam se desinteressando por não poder ver o produto”, diz.

Além de enfrentar um extenuante percurso a pé pelas ruas da cidade, catadores de lixo sofrem com o intenso esforço de puxar carrinhos ou carroças onde transportam material reciclável. Para quem, literalmente, carrega o peso de um dia de trabalho, toda iniciativa que possibilite o mínimo de praticidade e segurança é válida.

Alternativa

No Ceará, têm sido apresentadas alternativas para a obtenção de melhores condições de trabalho para catadores. No ano passado, o professor de Gestão Econômica e Ambiental da Unifor, Albert Gradvohl, concluiu projeto de um carrinho feito com carcaça de geladeira e pneus de bicicleta com capacidade para 500 kg.

Cada unidade, segundo o professor, deverá ser produzida a um custo que varia entre R$ 700 e R$ 800. O projeto também prevê que o catador não pague pelo carrinho. “A idéia é que ele contribua fornecendo a carcaça de geladeiras velhas, que poluem mais e gastam mais energia”, explica.

Gradvohl afirma que está negociando com parceiros para dar início à produção em larga escala do carrinho. “Se tudo der certo, daqui a seis meses já estaremos produzindo”, diz.

Já o estudante de engenharia elétrica da UFC, Nildson de Alencar Bezerra, destaca que o mais importante em um projeto como este é “oferecer segurança ao usuário”. Ele venceu, em junho de 2005, um concurso nacional de projetos de carrinhos para catadores de lixo.

Assegura que o modelo é mais leve que os vistos nas ruas. De alumínio e com rodas de bicicleta, deve ter divisórias removíveis, iluminação eletrônica e faixas reflexivas. “Motoristas se queixam da dificuldade em ver os catadores à noite

Para João Edson dos Santos, 26, que trabalha com material reciclável há dois anos, projetos como estes “podem melhorar, e muito, o dia-a-dia da gente. É muito sofrido trabalhar pesado como a gente faz”, conta.

ALÔ REDAÇÃO - AUTOR DA PAUTA HELDER LEITE CRUZ ENVIADO EM 23/01/07

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