A obra de construção da ponte da Sabiaguaba está parada desde 2004 e não tem previsão para a retomada dos trabalhos

 

Abandonada, a obra da ponte sobre o Rio Cocó, que ligaria a Praia do Futuro à Sabiaguaba, iniciadas em dezembro de 2002, apresenta sinais de deterioração, como ferrugem, por estar parada desde agosto de 2004. Já foram gastos cerca de R$ 8 milhões, com a obra inacabada.

 

No local onde deveriam estar uma ponte de 325 metros e duas vias asfaltadas de acesso, estão somente os pilares de sustentação e parte da pista construída. As vias não foram asfaltadas e estão acumulando areia das dunas, o que dificulta ainda mais o acesso ao local.

 

Enquanto a ponte permanecer inacabada, a população tem que percorrer um longo trajeto através da Lagoa Redonda para chegar até Sabiaguaba. O trajeto (Sabiaguaba- Praia do Futuro) que poderia ser de apenas 325 metros com a ponte é ampliado para cerca de 20 km.

 

Desenvolvimento
Para a população local, mais que facilidade de acesso, a ponte é a esperança de investimentos em infra-estrutura, geração de renda e emprego. A dificuldade em chegar e sair do local e a distância faz com que os moradores de Sabiaguaba até esqueçam que estão em um bairro de Fortaleza.

 

A proprietária de bar e restaurante em Sabiaguaba, Gerusa Ribeiro, disse que faz compras de peixe, caranguejo e camarão três vezes por semana. “Todas as vezes a gente demora cerca de uma hora pra chegar em Fortaleza. Além disso, os ônibus passam só de meia em meia hora e quando chove é um problema maior ainda”, relata.

 

Gerusa mora no local há 30 anos e afirma que o desenvolvimento vem acontecendo a passos lentos. “Eu me lembro de quando aqui não tinha nem energia. Dizem que vai melhorar porque a ponte vai valorizar o local e o pessoal vai querer comprar terrenos aqui”, prevê a comerciante.

De acordo com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Infra-Estrutura (Seinf), a obra estava orçada em R$ 14.928 milhões, dos quais 4 milhões são oriundos do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) e o restante da Prefeitura de Fortaleza. Segundo a assessora de imprensa da Seinf, Helena Félix, com o ajuste do projeto original, houve uma mudança no orçamento, reduzindo o valor total para quase R$ 13 milhões. A Prefeitura será responsável pelos cerca de R$ 5 milhões restantes para finalizar a obra.

“A gente tinha três pendências. A primeira era a alteração do projeto com o Dnit. A segunda é a renovação da licença ambiental com o Ibama e o terceiro é o embargo do Ministério Público. As duas primeira já estão resolvidas”, afirmou Helena. De acordo com ela, um documento como relatório do Dnit aprovando o novo projeto, o novo orçamento e o calendário das obras foram enviadas em novembro passado para o procurador Alessander Sales.

 

A intenção da Prefeitura é assinar um Termo de Ajuste de Conduta e começar a licitação para o reinicio das obras. Depois dessa fase, o prazo para que a obra seja concluída é de seis meses.

 


KARINE ZARANZA

 

Repórter

PERCURSO

325 metros de pista é o que falta para completar a obra da ponte da Sabiaguaba. Enquanto isso, quem quer chegar ao local tem que percorrer um longo caminho, pela Lagoa Redonda

 

ENTREVISTA - ALESSANDER SALES*

 

A culpa da paralisação é de quem não fez os processos corretos

 


A obra foi embargada em 2004 e até hoje ela não pôde ser retomada. Por que essa demora?

 

Eu voltei de férias na segunda-feira e fiquei sabendo do documento que a Prefeitura mandou em novembro. Vou procurar o relatório, analisar e marcar uma reunião. Mas a obra só pode ser liberada se as três pendências que existiam na época do embargo forem resolvidas. A primeira é em relação a licença ambiental. A ponte foi ampliada sem a licença do Ibama. A segunda é patrimonial. O Dnit passou um valor para a Prefeitura e vamos ver se esse dinheiro só cobriu as despesas para aquele estágio. Acho estranho. Se esse valor tiver sido usado mesmo, tudo bem.

 

Existe motivo para desconfiar que não tenha sido usado todo?

 

Existe. Até hoje as duas empresas responsáveis pelas obras, o ex-prefeito Juraci Magalhães e o então secretário de Infra-Estrutura, Marcelo Teixeira, estão respondendo a uma ação de improbidade administrativa que eu cheguei a ajuizar. E essa questão do dinheiro é muito importante. O Ministério só pode dar o OK se estiver correto.

 


De quem é a culpa desse atraso de mais de dois anos?

 

Isso tudo está ocorrendo pelos desmandos e incompetência administrativa da gestão passada. Foram tantas irregularidades que aconteceram. A gestão passada não fez corretamente a licitação para a empresa, houve mudança de empresa no meio do processo e isso é ilegal. Até mesmo o gerenciamento de recursos e da obra não foram satisfatórios. A culpa desse atraso é, sem sombra de dúvida, de quem não fez os processos adequados nos moldes corretos.

 


A obra corre o risco de não ser finalizada?

 

Acredito que não. Esta é uma obra muito importante e deve ser concluída. Tenho que analisar os documentos que a Prefeitura encaminhou para a Procuradoria e se todas as pendências estiverem regularizadas, claro que estaremos dispostos a fazer o ajuste de conduta.

* Procurador da República no Ceará

 

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