O Museu de Paleontologia da Urca é uma referência mundial no estudo dos fósseis do período cretáceo

Santana do Cariri. Cresce número de visitantes ao Museu de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri (Urca). Essa é a constatação da direção do órgão. Cerca de 21 mil pessoas percorreram as instalações do museu em 2006. A maioria dos visitantes é do Ceará. “Parte desse público era formada por pessoas oriundas de outros estados brasileiros e até do exterior”, afirma o diretor Alexandre Sales. Vieram a Santana do Cariri estrangeiros de 17 países, principalmente da Europa, além de grupos da América do Norte, América Latina, Ásia, África e Oceania.

Conforme as estatísticas internas, 302 excursões visitaram Santana, agora com a denominação de “Capital Cearense da Paleontologia”. O objetivo era conhecer o Museu. Em 2006 foram promovidos 34 eventos, entre cursos, palestras e encontros. O destaque foi para as atividades de capacitação, incluindo a realização de cursos para os condutores do museu e oficinas para os visitantes.

Segundo Alexandre Sales, houve também uma significativa contribuição para o Geopark Araripe, reconhecido por decreto pelo governo do Estado. Também contemplado com o Selo de Reconhecimento concedido pela Rede Mundial de Geoparks da Unesco.

A contribuição foi direcionada principalmente ao campo educacional, nos aspectos geológico, paleontológico, ecológico e cultural da Chapada do Araripe, reconhecida pelos cientistas do mundo inteiro como muito importante para o estudo do planeta terra.

Outras conquistas

O museu de Paleontologia contabilizou outras conquistas. Uma delas foi sua integração ao Sistema Estadual de Museus e à Rede Nacional de Paleontologia, formada por instituições brasileiras que fazem pesquisa na área.

O diretor da instituição destaca convênios firmados com entidades nacionais e internacionais, a exemplo da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação, em parceria com a Pró-reitoria de Extensão da Urca, denominado “Riqueza da Vida Fossilizada: cooperativismo, geração de renda, emprego e cultura de forma sustentável”.

Este projeto tem a participação de dez bolsistas de diversos cursos da Universidade. Os estudantes atuam junto à população de Santana do Cariri. O objetivo é realizar a inclusão social, por meio do trabalho de produção de réplicas de peças fossilizadas do museu.

As peças, depois de prontas, são comercializadas, proporcionado geração de renda para as famílias pobres daquele Município. Além disso, é uma maneira de divulgar a preservação do patrimônio paleontológico da Chapada do Araripe.

Na oficina, instalada nas dependências do museu, trabalham antigos vendedores de fósseis. Eles aprendem a valorizar as peças. “O fóssil, o vendedor só comercializa uma vez, enquanto as réplicas feitas podem ser vendidas inúmeras vezes”, diz Alexandre Sales. As famílias empregadas nessa atividade ganham um percentual sobre cada réplica vendida. O produto, incluindo as latinhas descartáveis de cerveja e refrigerante, é aproveitado pelos artesãos na confecção de souvenirs inspirados na paleontologia. Esses produtos são comercializados na lojinha instalada no próprio museu.

Coleção

Recentemente, foi realizado um exame dos fósseis que compõem a coleção científica do Museu de Paleontologia, por uma equipe de paleontólogos, liderada pelo professor Paulo Brito, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), e composta por Jesús Alvarado, do México, Lúcio Paulo Machado, da UERJ, e Yoshitaka Yabomuto, do Museu de História natural do Japão.

Os fósseis examinados têm grande importância no estudo da Paleontologia, por terem cerca de 120 milhões de anos.

O Museu de Paleontologia da Urca tornou-se uma referência mundial no estudo dos fósseis do período cretáceo. O trabalho realizado pelo grupo de pesquisadores da região deverá ser publicado em forma de artigo internacional, até o fim do ano de 2007, em uma revista de Paleontologia especializada em animais vertebrados.

Elizângela Santos Repórter

Mais informações:

Museu de Paleontologia da Urca

Rua Dr. José Augusto de Araújo, 326. Tel/ fax: (88) 3545-1320

EXCURSÕES

21 mil visitantes e pesquisadores passaram pelo Museu de Paleontologia da Urca, em 2006. São pessoas vindas de várias cidades do Brasil e do exterior, principalmente, da Europa.

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