Depoimento de Alemão : PF prepara forte esquema de segurança
04 mars 2008PF vai montar um forte esquema de segurança para o interrogatório de Antônio Jussivan dos Santos, o Alemão, nesta terça-feira. Foto obtida com exclusividade pelo O POVO mostra a aparência de Alemão quando foi preso
Até sua prisão, a Polícia tinha fotos de Alemão mais magro e com cabelo curto. Na prisão: com quinze quilos a mais e com cabelos compridos (Foto: Reprodução) Se alguém conseguisse furar o forte esquema de segurança montado pela Polícia Federal, para o interrogatório do cearense Antônio Jussivan dos Santos, o Alemão, 41 anos, marcado para a manhã desta terça-feira, certamente teria dificuldade para identificá-lo de imediato. Pelo menos se Alemão ainda mantivesse a aparência de quando foi detido por policiais federais, na última segunda-feira, em Taguatinga (DF). De acordo com a foto conseguida com exclusividade pelo O POVO, o acusado de ser um dos líderes do maior furto a banco da história do Brasil está 15 quilos mais gordo e usava barba, bigode e longos cabelos cacheados.
Usava. Porque horas depois da sua prisão, a própria Polícia Federal autorizou a raspagem dos cabelos, da barba e do bigode. Mesmo assim, ainda ficou uma leve impressão de uma plástica no nariz, que teria alterado a expressão do olhar. Além da aparência, Alemão ainda tratou de buscar identidades falsas. Foram quatro, em pouco mais de dois anos e seis meses de fuga: Francisco Everaldo Paulino Pereira, Roberto Zanon, Paulo Roberto Araújo dos Santos e, por último, Antônio Joaquim de Oliveira Paiva. De acordo com as investigações da PF, a primeira identidade falsa poderia estar em nome de Roberto Zanon, diante de documentos encontrados na casa onde se iniciaram as escavações até o caixa-forte do Banco Central de Fortaleza.
Pelo menos 25 policiais federais estarão envolvidos na segurança do depoimento de Alemão, que está marcado para amanhã, às 9 horas, na sede da Justiça Federal do Ceará, na Aldeota. A mobilização dos federais terá início já na madrugada, com a ocupação de alguns pontos nos arredores do local do depoimento. Parte dos policiais ocupará o térreo do prédio, enquanto um outro grupo ficará no sexto andar onde o juiz Danilo Fontenelle Sampaio interrogará o acusado sobre o assalto. De acordo com o processo, Antônio Jussivan seria um dos articuladores das escavações de um túnel que atingiu o caixa-forte do Banco Central, em agosto de 2005. Assaltantes conseguiram levar R$ 164,7 milhões.
Em um depoimento previsto para quatro horas de duração, a Justiça acredita que poderá saber do acusado sobre a sua participação no furto milionário e outras informações como as divulgadas por jornais nacionais de que ele teria sido preso anteriormente por policiais militares de São Paulo, no início de 2006, mas solto após ser extorquido em R$ 3 milhões. Alemão foi preso por policiais federais quando chegava a uma loja de pneus. Ele portava identidade falsa e mantinha vários negócios no Centro-Oeste, todos em nome de "laranjas" (pessoas que emprestam o nome em ações irregulares).
Na residência do acusado, os federais encontraram cerca de R$ 85 mil e uma pistola. Em seu primeiro depoimento, ainda na Capital Federal, Alemão negou que fosse um dos líderes da quadrilha do furto milionário, como ainda algum envolvimento com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).
E-mais
Ao ser preso, Antônio Jussivan portava uma identidade falsa, além de estar com barba, bigode e cabelos cumpridos. A Polícia Federal já descobriu alguns negócios que ele mantinha na Região Centro-Oeste, em nome de "laranjas". Como um posto de combustíveis e propriedades no interior de Mato Grosso do Sul e Goiás.
A PF prendeu o "laranja" José Ferreira da Silva, o Ferreirão, no mesmo dia da prisão de Antônio Jussivan. Ele era conhecido por pagar seus negócios sempre em dinheiro e à vista, o que chamou a atenção da Polícia. O próprio posto de combustíveis que ele administrava foi comprado à vista, por R$ 750 mil, além de uma casa, por R$ 120 mil.
Quando for encaminhado ao presídio federal de Mato Grosso do Sul, Antônio Jussivan terá a companhia de outros acusados de envolvimento no furto milionário, como Marcos Rogério Machado de Morais, Raimundo Laurindo Neto, Antônio Edimar Bezerra, Davi Silvano da Silva, Lucivaldo Laurindo, Jeovan Laurindo da Costa, Marcos de França, Fernando Carvalho Pereira e José Almeida Santana.
Nicolau Araújo e Cláudio Ribeiro da Redação