Falta de água - Cai reserva de açudes para 46% do total hídrico
13 mars 2008Espera-se que a partir deste mês até maio os açudes registrem maior índice de água para evitar racionamento na lavoura
Fortaleza. Os recursos hídricos nos açudes monitorados pela Cogerh no Estado atingem o menor volume dos três últimos anos. Os 127 reservatórios estão armazenando apenas 46,5% da capacidade total. Neste mesmo período, em 2006, o nível chegou a 70%, ficando em 60% no ano passado. A redução decorre da falta de chuvas torrencias, capazes de possibilitar a recarga nos reservatórios. Mesmo assim, o presidente da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), Francisco José Coelho Teixeira, informa que não é momento para preocupação, porque o período em que se espera mais chuvas é a partir deste mês até maio. “Com isso, pode ser que a situação das reservas de água seja modificada”, acredita ele.
“Esse índice de 46,5% não é alarmante. Mas é uma situação regular e com preocupações em pontos isolados no Interior do Estado”, diz. Esses pontos isolados, segundo ele, são os açudes que se encontram com o limite mínimo operacional, ou seja, apresentam o chamado volume morto (impróprio para qualquer tipo de consumo).
Os dados disponibilizados pela Cogerh indicam que oito açudes estão com volume inferior a 10%. Os mais críticos são os açudes Farias de Sousa, em Nova Russas; e o Quincoé, em Acopiara, com um volume de 7,1% e 7,7%, respectivamente. “Os dois açudes estão em situação crítica. Se não houver uma recarga de água a vida dos agricultores ficará ruim, porque não dá para viver só com o abastecimento dos poços. O mês de fevereiro também não foi bom, porque foi um mês irregular de chuvas”, considera.
A queda do nível de água no Açude Farias de Sousa foi abordada em matéria publicada pelo Diário do Nordeste, edição de 23 de janeiro, quando foi mostrado que, além do volume, os moradores reclamavam da qualidade da água, que tinha coloração esverdeada.
“Nas demais sedes municipais você dá para conviver normalmente. Talvez a proposta seja um racionamento menos drástico”, afirma Teixeira.
Quando comparado com os anos anteriores, o volume de água armanezada é definida por Teixeira como uma “cadeia de montanhas”, por apresentar variações constantes. “Têm momentos que temos as temporadas de chuvas intensas, como foi registrada em 2004, com quase 100% da reserva cheia de água. E hoje estamos na temporada descendente. Se analisarmos um histórico dos últimos 20 anos no conjunto de reservatório, ficamos em média de 30% a 40%”, diz.
Atualmente, com o índice de apenas 46,5%, Teixeira disse esperar um aumento de, pelo menos, 50% nos reservatórios do Estado. “Caso aconteça o contrário, não tenha chuva suficiente para encher os açudes, pode-se pensar na hipótese de racionamento de água para os produtores rurais”, afirma o presidente da Cogerh, direcionando o problema para a situação do Açude Banabuiú, localizado no município do mesmo nome, no Sertão Central.
“É o que vai ocorrer se o Banabuiú não tiver uma recarga. Vamos disponibilizá-lo apenas para o uso agrícola. Se o açude não tiver qualquer recarga, vamos decidir quanto de água vai ser liberada para Morada Nova. E se os agricultores não foram eficientes, teremos que reduzir a área plantada. Teremos que liberar a água de forma controlada”, explica Teixeira. Além disso, pode prejudicar ainda mais a situação dos agricultores, que demandarão mais carros-pipas no Interior do Estado, diferente da região do Cariri, onde a maior parte dos açudes tiveram aumento na recarga de água.
Vulnerabilidade
Francisco Teixeira complementa que a causa para a redução hídrica nos açudes não se limita apenas à falta de chuva, mas à maior demanda dos moradores na zona rural. “Mesmo com recargas irregulares tínhamos como garantir o abastecimento. Expandem-se as redes de ligações. Para cada 10 anos, um tinha problema de recarga. É uma questão de vulnerabilidade do nosso clima”, explica Teixeira.
MAURÍCIO VIEIRA - Repórter