Em 14 bairros de Fortaleza, a Defesa Civil registrou ocorrências relacionadas à chuva que caiu pela manhã. Desabamentos, inundações e alagamentos atingiram alguns moradores. Mas, não houve vítimas

A chuva que caiu em Fortaleza, principalmente ontem pela manhã, provocou 13 pontos de inundação na Capital. Não houve vítimas. Alagamentos e desabamentos também aconteceram, segundo boletim divulgado ontem pela Defesa Civil, com informações registradas até as 16 horas. Foram 61,8 milímetros de água, sentidos, mais intensamente, pela população que mora nas áreas de risco.  

As inundações aconteceram no Quintino Cunha, Lagamar, Vila Velha, Conjunto Esperança, Jardim Fluminense, Parque Santa Rosa, Bom Jardim, Tancredo Neves, Jardim das Oliveiras e Aerolândia. Os desabamentos foram registrados na Barra do Ceará, Antônio Bezerra e Cristo Redentor, onde também aconteceu alagamento. No Vicente Pinzón, Antônio Bezerra, Bom Jardim e Tancredo Neves, algumas casas quase desabaram.

 

No Bom Jardim, o servente José Cosme da Silva, que mora há seis anos próximo à margem do rio Maranguapinho, na altura em que o rio corta a avenida Osório de Paiva, o medo, ontem, foi grande e o fez não ir ao trabalho. "A barreira aí vive caindo e hoje a água veio até a rua. Estava vendo a hora de entrar dentro de casa. Tive medo, a gente tem criança", declarou José, que vê a água do rio Maranguapinho entrar em sua casa pelo menos uma vez por ano.

A casa de José possui uma marca, em vermelho, na parede, que sinaliza que a residência precisa ser demolida, por estar em área de risco. "Eu ouvi falar de uma indenização aí, mas até agora ninguém veio dizer quando a gente vai sair e para onde a gente vai", disse. Na trilha do rio, mais outras casas, com a mesma demarcação vermelha, abrigam moradores que correm o risco, freqüente, de ter suas casas inundadas.

A casa da comerciante Maria Ivanise, 40, no Genibaú, se transformou em mercadinho e agora não tem mais saída para o quintal - as margens do rio. Mas, outras têm. Como a da vizinha Ana Paula, 22. "Aqui já teve muita enchente do rio. A gente fica sem poder entrar em casa, como medo de dormir de noite. É horrível.", disse, aliviada, por, até ontem, não ter vivido o desespero de uma invasão das águas do rio em sua casa.

 

Ivanise também falou, assim como José, do Bom Jardim, de uma indenização que os moradores esperam receber para deixarem a área de risco. "Já é bem o terceiro cadastro que fazem, mas não dizem quando vai acontecer (a transferência para área sem risco) e a gente fica sem saber", reclamou.

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