Menos casamentos e mais divórcios no Ceará, diz IBGE

No Ceará, o número de uniões passou de 32.624, em 2004, para 30.090, no ano passado. No Brasil, os casamentos cresceram 3,6% no período. As separações judiciais e os divórcios, por sua vez, aumentaram

Na contramão do Brasil, que registrou um aumento de 3,6% no número de uniões oficiais, o número de casamentos no Ceará diminuiu quase 8% em 2005. Foram 30.090 uniões contra 32.624, em 2004. Em comparação com o Estado, Fortaleza foi exceção. Na capital cearense, o balanço de 2005 foi positivo para o time dos casados: 11.916 uniões oficiais foram registradas, 410 a mais que em 2004 (11.506). O Brasil fechou 2005 com 835.846 casamentos realizados, número superior ao de 2004, quando foram contabilizadas 808.968 uniões. Os resultados fazem parte da pesquisa Estatística do Registro Civil 2005, desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com os dados do IBGE, a maioria das pessoas que se casaram no Ceará em 2005 tinha entre 20 e 24 anos - sendo 9.113 homens e 9.347 mulheres. Na segunda posição, há uma diferença entre os sexos: a faixa etária dos homens casados aumenta e a das mulheres diminui. O número de homens que se casaram entre 25 e 29 anos é de 8.095. O de mulheres, na mesma faixa, ficou em 6.474. Em contrapartida, o número de mulheres entre 15 e 19 anos que se casaram é de 6.805, quase três vezes mais que o de homens (1.974).

A maioria dos casamentos no Ceará no ano passado se deu entre homens e mulheres solteiros: 27.066. Na seqüência, vêm as uniões legais entre homens divorciados e mulheres solteiras, 1.572 uniões, três vezes mais que os casamentos entre homens solteiros e mulheres divorciadas (505).

Segundo o relatório do IBGE, o crescimento no número de uniões oficiais é impulsionado pela legalização das uniões consensuais e pelo aumento dos casamentos coletivos. Isto seria resultado de uma parceria que envolve prefeituras, cartórios e igrejas. A socióloga Regina Cerqueira explica que estas uniões formam novas estruturas familiares, nas quais os filhos de um dos cônjuges acabam sendo incorporados à família do outro.

 Para o homem divorciado, ela acrescenta, este processo é mais fácil. De acordo com Regina, as mulheres divorciadas ainda enfrentam resistências para entrar em um novo relacionamento. "Muitos homens evitam a mulher que tem o 'kit completo' (separada e com filhos). Isso é fruto de uma cultura tradicional, bastante pejorativa contra o sexo feminino". Se o número de uniões caiu, no que diz respeito às separações e divórcios, o Ceará acompanhou a tendência nacional de crescimento. O Estado registrou 1.854 processos de separação judicial encerrados em 2005, um crescimento de 4% em relação a 2004. O número de divórcios concedidos em primeira instância foi de 4.346, 318 casos a mais que em 2004 (4.028). No Brasil, foram 100.448 separações, em 2005, contra 93.525, em 2004. O número de divórcios foi de 150.714. Em 2004, foram 130.527.

Regina Cerqueira crê que este resultado pode ser explicado pela conjunção de dois fatores: a emancipação feminina e o aumento da individualidade. Para a socióloga, isto estaria levando as pessoas a terem pouco filhos ou a adiarem ao máximo esta decisão. Um outro fenômeno observado, segundo ela, é o de mulheres que não querem relacionamentos permanentes.

 

 

 

 

Retour à l'accueil