No ano passado, 34.530 crianças não foram registradas ao nascerem. O número representa 21,2% do total de nascidos vivos no Ceará em 2005. Apesar de ter reduzido o índice de não registrados, que em 2004 era de 28,5%, o Estado tem o segundo maior resultado no Nordeste e o quinto no ranking nacional, apresentando quase o dobro da média nacional de crianças não registradas, que é de 11,5%. O índice é calculado com base na estimativa de nascimentos comparada à quantidade de crianças registradas. A diferença é o que se chama de sub-registro, ou seja, crianças não registradas.

O motivo pelo qual a mãe não registra seu filho não é divulgado na pesquisa. No entanto, as razões são as mais diferentes. No caso da dona de casa Meire Rocha, 38, foi uma promessa política não cumprida. "Uma candidata levou a minha declaração do hospital dizendo que faria o registro da minha filha para mim. Eu acreditei, mas ela acabou perdendo o papel e até hoje estou na batalha para tentar registrá-la", explica. A filha Rosana já completou 9 anos e ainda não foi registrada.

O filho de Cristiane Lima, 26, de 5 anos, também não tem registro. A mãe diz que como o pai desapareceu, até hoje ela não teve coragem de registrar o menino somente em seu nome. "Nunca tentei registrar porque fiquei esperando pelo pai dele, que nunca apareceu. Além disso, sofri um acidente que me deixou com problemas psicológicos. Aí tudo é mais difícil", justifica.

Para registrar um recém-nascido é necessário ir à qualquer cartório que ofereça o serviço, que é gratuito, e portar documento de identidade, certidão de casamento (caso os pais sejam casados no civil) e a declaração de nascido do hospital. Os pais preenchem um formulário, assinam e aguardam pela impressão da certidão. O processo demora aproximadamente 15 minutos.

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