Em um evento tão marcado pela diversidade de ritmos e estilos, a Dunas Jazz Band, de Fortaleza, fez um show bastante aplaudido por quem já estava ansioso pelos sons mais tradicionais do jazz no festival.

Nada contra a pluralidade que costuma dar o tom da programação do Festival Jazz & Blues - especialmente este ano, com muito espaço para a MPB e incursões por universos estéticos tão variados quanto o do violão clássico e o da música africana.
Mas, em meio a essa concepção bastante aberta (para alguns, ´free´ até demais), houve quem sentisse a falta de shows mais diretamente relacionados ao jazz tradicional. Esse público teve bons motivos para satisfazer sua expectativa no final da tarde de domingo, com a apresentação da Dunas Jazz Band no palco montado em frente à Matriz de Guaramiranga.

Novamente com ´casa cheia´, a música ao ar livre começou ao som de uma banda formada por jovens músicos do município de São Gonçalo do Amarante, reunidos pelo projeto Novos Talentos. Coordenada pelo gaitista Jefferson Gonçalves e pelo guitarrista Kléber Dias, ambos do Rio de Janeiro e assíduos freqüentadores do festival, a iniciativa consiste na seleção de músicos e na realização de oficinas de prática de conjunto, formando em cada cidade uma banda para tocar no festival, a partir das características dos músicos escolhidos. E, se possível, com algumas pitadas de blues e jazz. No domingo, Micael Tarsis (baixo), Flávio Moraes (voz e violão), Carlos Eliézer, Francisco Batista (guitarras) e Moésio Batista (bateria) cantaram de Zé Ramalho e Caetano a Belchior, fechando com Raul em uma versão de ´Aluga-se´ na levada blueseira de ´Hoochie coochie man´.

Hora e vez, então, de a Dunas Jazz Band ganhar o palco, com elegância das gravatas aos metais, anunciando que, sim, era hora de jazz no festival. Com um público que ia de crianças a idosos, passando pela moçada do ´camping´ em rodas animadas e descontraídas, a banda agradou com sua sonoridade à la big-band, emprestada a temas como ´Watch what happens´ (de Michel Legrand, com os metais em evidência), ´Tuxedo junction´ (com destaque para o trompete de Marcos Freitas), o lírico ´I´m getting sentimental over you´ (com o saxofonista tenor e ´band-leader´ João de Assis citando como referências as orquestras de Tommy Dorsey e Glenn Miller). Já quanto à música brasileira, a Dunas mandou um arranjo para o clássico ´Insensatez´, de Tom e Vinicius, e fez valer o show com uma boa lembrança à bela ´Domingo sincopado´, do maestro soberano. ´Muito tocada no exterior e pouco por aqui´, frisou Assis.

A banda também transpôs com bom resultado a violonística ´Jade´, de João Bosco, lembrou a Banda Black Rio, abrindo o show com ´Maria fumaça´ e, perto do fim, fez o povo dançar e cantar ao som de ´Sá Marina´. Pra encerrar, ´Que nem jiló´, de Gonzagão e Humberto, com a percussão de mestre Faíska se unindo à bateria do alemão Davi Krebs. No saldo da mistura, jazz com sotaque bem brasileiro. E muitos aplausos do público do bom e velho jazz. 

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