Seminário discute atendimento para mulheres vítimas de tráfico de pessoas
17 avr. 2008Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em todo o mundo chegam a ser traficadas 2 milhões e 400 mil pessoas. Numa grande maioria, 80% delas são mulheres. Diante de dados tão alarmantes, entidades, organizações e movimentos começam a se mobilizar para pôr em prática um serviço necessário: o atendimento e re-inserção dessas mulheres à sociedade. É sobre este assunto que trata o seminário Projeto de Construção de Metodologia para Atendimento às Mulheres Vítimas do Tráfico de Pessoas, que segue até amanhã (18), em Fortaleza (Ceará).
"Dentro desse contexto de tráfico de pessoas para exploração sexual com fins comerciais, é preciso que as mulheres tenham outra expectativa de seus futuros, para que elas não possam, de alguma forma, voltar a se iludir e acreditar que o mundo lá fora é melhor, que elas vão mudar de vida de forma fácil", afirmou Aparecida Gonçalves, da Secretaria Especial de Políticas Para as Mulheres, uma das componentes da mesa de debate de hoje.
Ela explica que quando as mulheres voltam ao país de origem, estão quase sempre na condição de deportadas ou como denunciadas à polícia local. Na maioria das vezes, elas são colocadas à margem e, em meio a uma recepção hostil da sociedade, a abertura para que elas voltem a ser vítimas do tráfico de pessoas volta a ser uma alternativa.
É nesse ponto que o Estado, através de seu aparelhamento social, deverá entrar em ação. Dentro desse projeto de construção, os Centro de Referências são apontados como espaços capazes de atender esta demanda, além de outros que também poderão servir de apoio para atendimentos.
Para Luciana Campello, integrante da organização Projeto Trama, que trata do combate ao tráfico de pessoas no Rio de Janeiro, essa discussão traduz bem a vontade tanto dos municípios, como das organizações sociais e governo em resolver esse problema tão grave.
"No Brasil, como em todo o mundo, ainda não existem este tipo de atendimento direcionado para as mulheres que são vítimas de tráfico de pessoas. O que estamos vivendo em Fortaleza, neste seminário, é um passo inicial e de grande importância. Estão todos envolvidos nisso".
O seminário, promovido pela Prefeitura Municipal de Fortaleza e
Governo Federal, é um projeto-piloto que está inserido dentro do Pacto Nacional Pelo Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, que consiste numa série de ações de prevenção e combate previstas
para serem realizadas entre 2008 e 2011.
Fonte : www.adital.com