Famílias da zona rural de Aiuaba, no Sertão dos Inhamuns, a 508 quilômetros de Fortaleza, estão sofrendo com a escassez de água. Os dois açudes que abastecem a cidade - Bangüê, com capacidade para 19 milhões de metros cúbicos de água, e o Camarão que comporta até dois milhões de metros cúbicos de água - estão com menos de 50% da reserva hídrica. O primeiro tem apenas 17% da sua capacidade, e o segundo, 40%. Apenas quatro carros-pipa estão abastecendo pelo menos 10 mil trabalhadores rurais e suas famílias.

"Faço pelo menos quatro viagens de bicicleta, pedalando três quilômetros, para conseguir água. É um sacrifício carregar os baldes d´água que só dão para dois dias de consumo", reclama o agricultor Cícero Alves Oliveira, 53, que mora no distrito de Cedro. Ele considera que a situação atual de mais de 30 famílias que vivem na localidade é "angustiante e muitos já pensam em ir embora. As crianças estão adoecendo por causa da qualidade ruim da água. É muito barrenta", diz.

A professora Maria Virgínia da Conceição que leciona na Escola Municipal Manuel Pereira de Araújo, também em Cedro, diz que não consegue água potável para a merenda escolar desde junho último. "Muitas crianças faltam à aula porque não é possível fazer a merenda ou porque ficam doentes. Os casos mais comuns são de diarréias".

A situação é confirmada pelo prefeito de Aiuaba, Ramilson Araújo Moraes (PSDB). Ele diz que gasta R$ 75 mil com abastecimento dos carros-pipa e só são quatro para atender a 15 mil habitantes. "Temos muitos animais já mortos nas estradas porque a água está muito escassa". Segundo o prefeito, foi decretado estado de calamidade pública e encaminhadas solicitações ao Governo federal, através do Ministério da Integração Nacional. "Na próxima semana, o Exército prometeu fazer um levantamento sobre a situação do município. Queremos uma solução rápida para atender a população", diz o prefeito. car).

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