Com índices de infestação pelo mosquito Aedes aegypti acima de 3, quando o ideal é abaixo de 1, mais de 15% do total de municípios do Estado preocupa pela grande quantidade de casos de dengue em 2006

 

Vinte e oito municípios do Ceará apresentam índice de infestação de dengue superior a 3. O número representa 15,2% do total de cidades do Estado. Além destes, a pesquisa do levantamento do índice de infestação por Aedes aegypti da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), no período de janeiro a setembro, mostra também que 56 municípios, ou seja, 30,4% do Ceará, apresentam infestação entre 1 e 3. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), para que não haja risco de epidemia, o ideal é que o índice seja igual ou menor a 1, fato que ocorre em 100 municípios.

O índice de infestação identifica a quantidade de locais com foco do mosquito em cada 100 casos de investigação. O número de cidades com índice acima do ideal ainda preocupa. Caucaia (3,03), Quixadá (4,75), Granja (3,28), Pacatuba (3,39), Camocim (3,59), Acopiara (5,12), Itapajé (3,49), Santa Quitéria (3,04), Reriutaba (4,14) e Varjota (5,40) apresentam os piores índices, resultado que se repete há pelo menos cinco anos consecutivos. Dos 23.616 casos de dengue ocorridos em 2006 no Ceará, 14.556 foram em Fortaleza e 9.060 em outros 144 municípios.

De acordo com Cialdini Frota, assessor técnico do Núcleo de Controle de Endemias Transmissíveis por Vetores (Nuend) da Sesa, o fator principal para os altos índices nesses municípios é a falta de engajamento da população no combate à doença. "Não é querendo colocar a culpa apenas na população, mas se a pessoa quiser, não deixa o mosquito em casa". Frota aponta também como causa a falta de continuidade dos trabalhos para prevenção das epidemias. "As ações ficam paradas e, além disso, há uma deficiência de pessoal e de material".

Ele explica que o fim do ano é um período importante para realizar ações de prevenção de criadouros. Chamado interepidêmico, o momento apresenta poucos casos de dengue, mas é o período ideal para intensificar a prevenção. "Na época das chuvas, a situação piora. Por isso temos que garantir a prevenção desde agora". Segundo ele, a Sesa tem buscado diminuir a incidência dos casos. "Mandamos profissionais com o objetivo de esclarecer a população. Além disso, os carros fumacê também ajudam no combate". Ele ressalta ainda que o Estado mantém parcerias com os municípios e uma assistência na mobilização das comunidades.

Conforme dados da Sesa, Quixadá é o município que mais preocupa, pois está presente no ranking dos piores índices há cerca de dez anos e nunca apresentou resultado abaixo de 3. Uma das causas é a falta de acompanhamento das ações implementadas pelo Estado. Além disso, como ocorre muita falta de água, existe um acúmulo muito grande de água em reservatórios. Mas segundo Clenilson Paiva, coordenador de endemias da Secretaria da Saúde de Quixadá, a expectativa é de terminar o ano com índice abaixo de 3. Ele ressalta que, no início de 2006, o índice chegou a 8.

Clenilson relata que foram listados os bairros com situação mais preocupante para dar início a um trabalho de conscientização das comunidades. "Vamos de casa em casa esclarecendo as pessoas da importância de não deixar acumular água parada". Por meio de um projeto da prefeitura, o município conta ainda com a ajuda dos carroceiros, que atuam junto no combate. "Como eles conhecem mais o local e têm mais relação com os moradores, o trabalho fica bem mais eficaz". A meta é diminuir ainda mais o índice em 2007.


SERVIÇO
Para acompanhar a evolução da dengue nos municípios cearenses, pode-se acessar o Boletim Semanal da Dengue, no site da Secretaria de Saúde www.saude.ce.gov.br, no link do lado esquerdo Informações em Saúde, dentro de Publicações e depois Boletins/Informes.


DENGUE NO CEARÁ

* Foram registrados 23.616 casos de dengue este ano. Em 2005, o total foi 22.817. Apesar disso, 2006 apresentou menor índice de óbitos em decorrência da dengue. Até agora foram 14 mortes, contra 24 referentes ao ano passado.

* Dos casos ocorridos em 2006, 14.556 foram em Fortaleza e 9.060 em outros 144 municípios.

* Pesquisa do levantamento do índice de infestação por Aedes aegypti (jan-set):
- 17 municípios (9,2%) não apresentam circulação vetorial
- 81 municípios (44,1%) registram uma infestação entre 0,1 a 1% ou com baixo risco
- 56 municípios (30,4%) apresentam infestação entre 1 a 3%
- 28 municípios (15,2%) apresentam uma infestação superior a 3%

* Óbitos Confirmados de dengue hemorrágico:
- Itaitinga: 1
- Caucaia: 2
- Maracanaú: 2
- Fortaleza: 8
- São Gonçalo do Amarante: 1

* Dados coletados até 17.11.2006.

PREVENÇÃO
- A fêmea do mosquito escolhe locais com água limpa e parada para o depósito dos ovos. Não junte, em ambientes abertos, garrafas, pneus ou qualquer recipiente que possa acumular água da chuva e se tornar criadouro do inseto.

- Esses materiais devem ser guardados em ambientes adequados e, caso haja necessidade de armazenamento, as garrafas devem ser viradas com a boca para baixo.

- Os pratos colocados embaixo dos vasos com plantas devem ser preenchidos com areia até a borda ou lavados com bucha uma ou duas vezes por semana. A bucha inutiliza os ovos que possam ter sido colocados ali.

- Na época das chuvas, as calhas das casas têm de ser desentupidas. Caso contrário, podem se tornar depósitos de ovos do Aedes aegypti.

- As caixas d´água também merecem atenção: precisam estar totalmente cobertas. Abertas favorecem a reprodução ainda maior do mosquito.

- A questão do saneamento ambiental também é importante, pois o acúmulo de lixo e entulho favorece a disseminação de criadouros do mosquito transmissor da dengue.


Fonte: Sesa e Ministério da Saúde

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