O Parque Ecológico do Cocó está sendo alvo de mais um crime ambiental. Um canal tem despejado esgoto constantemente no parque, criando uma atmosfera que contrasta com a beleza do local

O maior parque urbano da América do Sul está "sangrando" por dentro. Em meio à exuberância da fauna e da flora do Parque Ecológico do Cocó surge um "lago" de esgoto despejado por um canal. Além do mau cheiro, ao redor do "lago" há entulhos, tijolos, até calota de carro, além de muito lixo. O local onde o esgoto está sendo despejado fica em mata fechada, por trás de uma estação de tratamento de água da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), o ETA Cocó, próximo a uma das trilhas ecológicas do parque. Não é de hoje que o parque sofre com problemas de degradação ambiental. Esta semana, O POVO veiculou matérias retratando a atual situação do Parque do Cocó, que sofre ameaças ambientais.

A cena entristece quem costuma freqüentar o parque. "O despejo de esgoto tem influência na flora e fauna do parque, pois a terra recebe dejetos, prejudicando o solo e influenciando na poluição do rio Cocó. A poluição é algo que, com o tempo, vai destruindo tudo ao redor", afirma o terapeuta corporal Norval Cruz. Ele acredita que o esgoto venha de condomínios próximos ao parque e atribui o ato à Cagece. "Há anos que esse esgoto está sendo jogado aqui. Nós queremos denunciar o despejo de dejetos no parque, provenientes do Sanear (projeto de saneamento realizado pelo Governo do Estado), e cobrar uma mudança de direção desse esgoto para um lugar devido ou seu tratamento, visando a preservação do Parque", observa.

A gerente do Parque do Cocó, Lucilene Maranhão, disse que desconhecia o fato. Ela conta que, este ano, foi constatada uma ligação clandestina de esgoto feita para os canais de drenagem de águas pluviais que desbocava no parque. A gerência, na ocasião, acionou a Cagece e a Prefeitura Municipal de Fortaleza, que solucionaram o problema. Lucilene informou ainda que há uma empresa terceirizada que faz a manutenção do parque, resolvendo e comunicando a gerência qualquer irregularidade que possa haver no local. "Vamos ao local verificar a denúncia e, caso seja comprovada, tentar resolver o problema de imediato", complementa.

A Cagece afirmou também não saber do problema. A assessoria de imprensa do órgão informou que a Unidade de Manutenção responsável pelo parque foi acionada e irá, hoje, ao local verificar a denúncia. "Uma equipe vai ao local ver se há extravasamento de algum sistema de esgoto ou alguma ligação clandestina e corrigir se for o caso", declarou.


O POVO tentou entrar em contato, ontem à noite, com a coordenadora de Controle e Proteção Ambiental da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Semace), Maria Dias Cavalcante, mas seu celular estava desligado.

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