Oscar Niemeyer
16 déc. 2006Homenagem : o mago do traço
No dia 15 de dezembro, o arquiteto Oscar Niemeyer completa 99 anos. Às vésperas do ano de seu centenário, ele continua a trabalhar diariamente, mergulhado em novos projetos. O Vida & Arte Cultura desse domingo revisa a longeva trajetória desse arquiteto modernista e comunista apaixonado pelas mulheres
De cigarrilha sempre na mão e com bons vinhos no copo, o arquiteto carioca Oscar Niemeyer chega, no dia 15, aos 99 anos. Os velhos hábitos - condenados por muitos médicos - parecem não intervir na longevidade do criador das principais edificações de Brasília, a capital do País. Ao longo da trajetória quase centenária, outras paixões continuam intactas: o comunismo e as mulheres. Da primeira, surge o desejo inquietante por uma revolução capaz de sanar a miséria do mundo. Da segunda, vêm as curvas sinuosas que, refeitas em concreto armado, marcaram o traço do arquiteto e transformaram as obras dele em arte.
Essa visão particular da arquitetura moderna, na qual a forma se sobressai como em uma escultura, foi a responsável por edifícios memoráveis que consagraram o nome de Niemeyer em todo mundo: da participação no Ministério da Educação e Saúde, no Rio de Janeiro da década de 30, passando pelo conjunto arquitetônico da Pampulha e pela sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York (EUA), nos anos 40, até à sede do Partido Comunista Francês (PCF), em Paris, da década de 60. Essas são amostras sempre lembradas do rico portfólio do arquiteto, que o levou a ser o primeiro brasileiro consagrado, em 1988, com o prêmio Pritzker, o "nobel" da arquitetura.
Nada mal para quem diz ter começado a carreira sentindo-se perdido e ainda bastante cru. Em 1934, aos 26 anos, já casado com Annita Baldo e com diploma da Escola Nacional de Belas Artes na mão, Oscar Niemeyer abandonou a boemia carioca para mergulhar nos trabalhos de arquitetura no escritório de Lúcio Costa e Carlos Leão. Ali, encontrou o espaço ideal onde organizar as idéias para começar transformá-las, anos mais tarde, em invenção. O encontro com o então prefeito de Belo Horizonte Juscelino Kubitschek e a liberdade criativa permitida por ele para a realização da Pampulha foram determinantes para a consolidação do nome de Niemeyer na arquitetura brasileira.
Foram essas obras que levaram o arquiteto à Brasília, em meados de 50, onde criou, entre outros, o Congresso Nacional, o Palácio do Itamaraty e a Catedral da cidade, prédios poucos anos mais tarde ocupados pelos militares que praticamente lhe impuseram um auto-exílio na França devido ao seu posicionamento político. Na Europa, Niemeyer encontraria ainda mais projeção, realizando, entre outros trabalhos, a Universidade de Constantine, na Argélia, e o prédio da editora Mondadori, na Itália.
Durante todo 2007, haverá programação em celebração ao centenário de Niemeyer. A Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo já organiza seminários sobre ele. Na França, espera-se uma grande exposição no PCF em homenagem ao arquiteto. Além disso, há a expectativa de que o Ministério da Cultura francês declare as obras realizadas ali por Niemeyer como bens do patrimônio histórico do país.