DISPARIDADES
População feminina tende a aumentar
Levantamento aponta que na região Sudeste do País, a mortalidade masculina deve superar marcas acima de cinco vezes a mortandade feminina até 2030. Em São Paulo, para cada morte de mulher na faixa de 15 a 19 anos em 2030, são esperadas mortes de seis a dez homens na mesma faixa etária. O IBGE projeta que o Brasil vai chegar a 2030 ainda sob o peso da desigualdade. Isso implica diferenças nas taxas de mortalidade infantil.

O crescimento das mortes de jovens do sexo masculino em razão da violência deve se tornar uma tendência para o futuro, especialmente no Sudeste, segundo a pesquisa Indicadores Sociodemográficos - Perspectivas para o Brasil 1991-2030, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas, no Rio.

De acordo com o levantamento, a mortalidade masculina nessa região deverá superar marcas acima de cinco vezes a mortalidade feminina até 2030. O Sudeste apresenta atualmente um nível elevado de mortes de jovens por causas externas, acidentes de trânsito e homicídios, entre outros.

Em São Paulo, para cada morte de mulher na faixa de 15 a 19 anos em 2030, são esperadas mortes de seis a dez homens na mesma faixa etária. Norte e Nordeste continuarão na lanterna dos indicadores sociais. Enquanto a esperança de vida no Distrito Federal chegou a 75 anos em 2005, Alagoas precisará de mais 24 anos para alcançar esse patamar.

O Brasil vai chegar a 2030 ainda sob o peso da desigualdade. Segundo projeções do IBGE, os próximos 25 anos serão insuficientes para a diminuição a patamares mínimos das disparidades regionais encontradas hoje nas taxas de mortalidade infantil e de expectativa de vida. O documento apresenta estimativas de fecundidade, que, por sua vez, também demonstram
a permanência das disparidades regionais.

Já na comparação internacional, é possível que a situação seja ainda pior e o Brasil seja ultrapassado por mais países. Atualmente, Chile, Cuba e Porto Rico têm taxas em torno de 10 óbitos ou menos em mil crianças nascidas vivas, desempenho que deve ser atingido pelo Brasil só em 2030. E, mesmo assim, apenas no Sudeste, Sul e nos estados de Goiás e Mato Grosso do Sul.

O País está hoje na 98ª posição no ranking da ONU, liderado pelo Japão e Islândia, com 3,2 óbitos por mil crianças vivas. Segundo o IBGE, em 2000, de cada mil crianças nascidas vivas, 30,4 morriam antes do primeiro ano, sendo que o Rio Grande do Sul liderava o ranking nacional de menos mortes (16,7 óbitos por mil) e Alagoas ocupava a última posição (63,8 óbitos por mil), um indicador quase quatro vezes pior.

Trinta anos depois, o Brasil deve reduzir as mortes para 11,5 a cada mil crianças. Entretanto, além de os estados com melhor e pior desempenho serem os mesmos, eles permanecerão muito distantes: Rio Grande do Sul, com 7,3 óbitos por mil, índice quase três vezes melhor do que as 19,4 mortes por mil estimadas para Alagoas. (das agências de notícias)

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