MEDO DE DESASTRE

Moradores apreensivos com o Metrofor

Desastre em São Paulo gera medo nas pessoas que moram próximo às obras do Metrofor. Segundo eles, rachaduras e afundamento de terra são constantes na região.

Devido ao acidente ocorrido no canteiro de obras da estação Pinheiros do metrô, em São Paulo (SP), na última sexta-feira, dia 12, muitas pessoas que moram perto das obras do Metrofor, em Fortaleza, ficaram apreensivas. Várias casas situadas nas proximidades da futura Estação Benfica, localizada entre a avenida do Imperador e a rua Tristão Gonçalves, apresentam rachaduras causadas pela construção. Os moradores temem que, com o retorno das obras, os problemas e os prejuízos voltem.

A dona de casa Rosalice Brum, 55, teve de se mudar durante o período das escavações. Ela disse que essa foi a fase em que teve maior medo. Desde que soube da notícia do acidente na capital paulista, contudo, o temor voltou. "A gente não deixa de correr risco, porque ninguém sabe o que tem lá embaixo. Depois desse acidente, o medo aumentou mais. Acho que o medo vai continuar até quando o metrô começar a funcionar", disse.

Segundo Brum, a área próxima à estação era, antigamente, uma grande lagoa, por onde corria o rio Pajeú. Por esta razão, de acordo com os moradores da área, trechos dos arredores da construção vivem constantemente cedendo. "Isto aqui é um olho d'água. Não vai acabar nunca", afirma. A aposentada Ana Furtado, 83, há mais de 30 anos morando na Tristão Gonçalves, também disse estar com medo, pois as infiltrações são constantes. O muro da casa em frente à casa dela e um poste vizinho afundaram recentemente.

O professor Roberto Freitas, 31, que mora ao lado da obra, alega não ter tanto receio de um desabamento. O problema da construção, segundo ele, é a grande quantidade de água que se acumula no fosso da obra e que serviria como um espaço para a proliferação de mosquitos. Freitas afirma que o problema acentua-se na época das chuvas. Assim como a dona de casa Rosalice, o professor quer saber como estão as obras. "Tenho curiosidade de visitar a obra, para ver onde estou em cima. Me disseram que o túnel passa somente embaixo da rua, queria saber", comenta.

Embora não tenha medo de desabamentos, o professor aponta para um trecho da rua que teria cedido, quase em frente à casa dele. A mesma situação é denunciada pelo borracheiro Clemenceau Peixoto, 53, que afirma que parte do asfalto da rua Carapinima que fica próxima ao canteiro central cedeu, há dois meses. A esposa dele, Maria do Carmo Peixoto, 43, dá detalhes: "Era pouco antes das cinco da manhã. Estava dormindo quando ouvi um barulho e fui ver o que era. Quando saí de casa, o asfalto tinha cedido e vi uma moto quase cair dentro dele. O pessoal do Metrofor foi chamado e fechou o buraco pouco tempo depois".

A casa de Clemenceau foi uma das vítimas da construção. As paredes estão trincadas, de uma ponta a outra. Segundo o borracheiro, as escavações e as injeções de cimento no solo seriam as responsáveis pelas rachaduras. "Quando estou deitado na cama, sinto as vibrações. Falei com o pessoal do Metrofor e eles disseram que depois de terminar a obra vão reformar minha casa", diz esperançoso. Sobre a possibilidade de um acidente semelhante ao ocorrido em São Paulo, Clemenceau analisa: "Isso pode dar um problema lá na frente, mas não acho que seja na mesma proporção. A profundidade das escavações em São Paulo é de 40 metros, enquanto que aqui não chegam a 15 metros".

O POVO entrou em contato com o Metrofor na manhã de ontem, para que fosse feito um paralelo entre o acidente de São Paulo e as obras em Fortaleza. A assessoria informou que o caso de São Paulo está sendo estudado e que o órgão daria um posicionamenmto sobre a questão da segurança hoje pela manhã.

 

 

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